sábado, 21 de abril de 2012

A Arte de Descobrir o Brasil




O desenvolvimento coletivo parte do descobrimento pessoal avançando em direção ao todo.


“Assim como um indivíduo deve trilhar o caminho do autoconhecimento, cada nação deve avançar para o que há de melhor em seu próprio futuro, aprendendo a trilhar o caminho do auto-descobrimento permanente.” [1]






O Melhor do País Ainda Está por Ser Revelado

  Carlos Cardoso Aveline

 
O Descobrimento do Brasil Prossegue no Século 21

Cada país tem uma lenda ou potencialidade superior. O folclore de um povo revela de um modo ou de outro o que há de melhor em seu futuro. Nesta dimensão semi-mitológica o povo brasileiro é altruísta, solidário, eclético e voltado para a utopia da fraternidade humana.

Desde abril de 1500 o Brasil tem sido um processo vivo de síntese criadora entre culturas diferentes. O primeiro grande sonho de um país brasileiro, socialmente justo e politicamente independente, tem como ponto alto no final do século 18 a atitude corajosa do alferes Tiradentes diante da perseguição e da morte. O gesto visionário de Tiradentes - comemorado a cada 21 de abril - ajuda a estabelecer as Minas Gerais como um coração espiritual do país.  

O Auto-Descobrimento É Iniciado no Século 18.

A história, é claro, não começou em 1500.  Evidências e notícias numerosas indicam que o território do Brasil era conhecido há séculos por diferentes países europeus, e até mesmo pelos chineses.  Mas agora Portugal tinha a intenção de oficializar a “descoberta”, efetivando a tomada ostensiva e permanente do território. 

Em 1500, a Europa descobre oficialmente o Brasil. No final do século 18, com Tiradentes, o Brasil começa a descobrir a si mesmo.    
A esquadra de Pedro Álvares Cabral se aproxima da costa no dia 22 de abril de 1500 e lança âncoras no final da tarde, na região sul da Bahia.  O país, portanto, é  baiano. O Brasil nasce na Bahia, com o sol no signo de Touro. A sua vida madura vai começar mais tarde, nas Minas Gerais, em torno do ciclo do ouro.  

No dia 23 de abril de 1500, pela manhã, os europeus efetivamente colocam o pé na Terra com a intenção de tomar posse permanente dela, e começam a interagir de modo fraterno com os habitantes locais. O signo de Touro exige a concretização e materialização dos processos. O dia 23, o dia do pé na terra e da troca de presentes, pode ser ocultamente mais significativo que 22.

Cabe examinar a dimensão religiosa deste encontro histórico. A espiritualidade brasileira surge da tradição inaugurada por Francisco de Assis. As primeiras missas no Brasil foram celebradas pelo frei franciscano Henrique Soares.  Com uma forte componente panteísta e portanto teosófica, os franciscanos são uma  vertente benigna do cristianismo.  Assim como os teosofistas, os discípulos de Francisco veem o sol, a água, a lua, o fogo, os peixes e os pássaros como seus irmãos.  Há vida em todo o universo, segundo também ensina Helena Blavatsky. No  plano oculto,  aconteceu algo de universalmente fraterno e intercultural, de interdisciplinar e teosófico,  nas primeiras missas ditas no futuro Brasil. Os franciscanos foram os pioneiros. Eles inauguraram o padrão de interação.  Só mais tarde veio a tropa de choque do Vaticano, os jesuítas, uma maioria de padres bem intencionados, colocados a serviço do projeto de dominação teocrática mundial de Roma. 
Novos Descobrimentos nos Séculos 21 e 22

Conhecido como um “país do futuro”, o Brasil faz parte das Américas que segundo a teosofia clássica preparam a humanidade sábia de tempos que virão.  Helena Blavatsky anunciou que no século 21 seria possível abrir caminho direto para esta potencialidade mais elevada. Há, portanto, um Brasil que ainda está por ser localizado.  A “terra sem males” habita o futuro.  As antigas entradas e bandeiras, que expandiram a colônia na direção Oeste, cumpriram sua missão; as novas “entradas e bandeiras” devem descobrir o futuro. O “achamento” do país não terminou em 1500.  O ciclo dos grandes descobrimentos ainda está por chegar ao seu ponto mais alto.

Assim como um indivíduo deve trilhar o caminho do autoconhecimento, cada nação deve avançar para o que há de melhor em seu próprio futuro, aprendendo a trilhar o caminho do auto-descobrimento permanente. 

A arte de descobrir o Brasil é a ciência pela qual aprendemos a construí-lo com base na sua vocação mais nobre.  É correto visualizar o futuro saudável e universalista do país sonhado por Tiradentes, José Bonifácio e Chico Mendes.  Uma síntese harmonizadora entre céu e terra pode chegar antes do final do século 21, segundo escreveu  Helena P. Blavatsky.  Pindorama, o país tupiniquim, ainda contém mistérios por revelar.  A figura de Pedro Álvares, o descobridor oficial, simboliza uma função a ser exercida passo a passo e gradualmente: o Brasil irá descobrir a si mesmo de modo mais pleno nos séculos que virão.  

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[1] A Arte de Descobrir o Brasil – Carlos Cardoso Aveline -http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1424#.T5Km-rNYuZU

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Páscoa Como Renascimento Interior

Um Processo Circular de Renovação da Vida 
 
 
 
Carlos Cardoso Aveline
 
 
 
A ressurreição que a Páscoa cristã comemora anualmente está ao alcance de cada ser humano o tempo todo.
 
O cristianismo velho e triste do dogma, da cruz e da intolerância dará lugar durante o século 21 a uma nova espiritualidade inter-religiosa, filosófica, otimista e voltada para o futuro.
 
A tradição cristã - assim como outras religiões - pode e deve passar por uma morte e um renascimento. A disciplina espiritual é dura e inevitável para quem quiser trilhar o caminho místico. Mas ela não é feita de tristeza ou dogmatismo, e sim de liberdade interior,  responsabilidade própria e contentamento.  
           
A própria base da tradição cristã é pagã, panteísta e ecológica. As principais datas do calendário cristão se apóiam, na verdade, sobre comemorações não-cristãs que celebram o Sol e os ciclos naturais.
           
A Páscoa, por exemplo, é comemorada no equinócio da primavera, no hemisfério norte, e no equinócio do outono, no hemisfério sul.  Nesta época do ano, a noite e o dia têm exatamente a mesma duração. A partir da Páscoa, o equilíbrio entre a luz e a sombra é rompido a favor da luz solar, no hemisfério norte. Por isso, tradicionalmente, a Páscoa é vista como o anúncio de um novo começo e como algo que abre espaço para o ressurgimento da vida em todas as dimensões da natureza.  
           
Até o século 19, ainda era costume em certas regiões da Europa sair para a natureza na madrugada  do dia da Páscoa e assistir ao nascimento do Sol. Havia a convicção de que o astro-rei dançava de alegrianesse dia, logo acima da linha do horizonte, comemorando o novo período anual de predomínio da luz.
           
Nos países do hemisfério sul, onde a celebração da Páscoa marca o equinócio de outono, o  momento anuncia a caminhada em  direção ao inverno. Neste caso, o renascimento da Páscoa não é um processo físico ou externo, mas sim interior e espiritual.  
 
O Natal é outro evento pagão de que o cristianismo apenas se apropriou. O nascimento de Jesus é comemorado exatamente no solstício de inverno do hemisfério norte, o auge da estação fria,  a época do ano em que a noite é mais longa. Daí a neve de algodão nos presépios brasileiros. É a partir do solstício de inverno (24-25 de dezembro) que a luz já não perde mais energia e volta pouco a pouco a recuperar sua intensidade, do ponto de vista dos países situados acima da linha do Equador.  
           
Na Roma pagã, o dia 25 de dezembro era dedicado à festa  do “nascimento do sol invencível”. Foi só em meados do século 4 que a  data foi adotada pelos cristãos para comemorar o nascimento de Jesus, “o sol da justiça”.
           
Assim, a religião cristã é filha e herdeira das antigas tradições  religiosas de comunhão com a natureza e com os astros no céu.  Isso explica por que o texto bíblico Eclesiastes (43: 1-5) celebra o Sol e a Lua deste modo:
           
“Orgulho das alturas,  firmamento de claridade,  assim aparece o céu em seu espetáculo de glória. O Sol proclama ao nascer: ‘Como é admirável a obra do Altíssimo’. Grande é o Senhor  que o fez, e com sua palavra apressa o seu curso. Também a Lua, sempre exata, a mostrar os tempos, é sinal eterno...”
           
Para a filosofia esotérica, a transformação de inteligências cósmicas em figuras antropomórficas e  personalizadas é um processo de produção de metáforas e imagens apenas simbólicas. O cosmo é um grande ecossistema inteligente. Embora Francisco de Assis seja famoso por sua visão universal e  panteísta da natureza, muito antes dele o Eclesiastes já exaltava o relâmpago, a neve, as nuvens, os pássaros, o trovão, os montes, o vento, o deserto, e os encarava todos como aspectos externos do processo divino universal. 
           
A Páscoa simboliza, portanto, o renascimento espiritual de todos os seres como parte do ciclo anual e natural da vida. 
 
“A sabedoria consiste em saber o nosso lugar em cada ciclo vital, e  em saber que tipos de ação são necessários para cada momento”, escreve Richard  Heinberg. [1]  
 
Para quem vive no hemisfério sul, há um clima de renascimento físico no equinócio da primavera, em 23 de setembro, porque nesta época do ano tudo  que é verde passa a ressurgir ao nosso redor.
           
Ao contrário da Páscoa do Norte, a Páscoa outonal do hemisfério sul prepara e anuncia o inverno externo, mas também produz  uma purificação interior. É quando a vida começa a se retirar do plano físico que ela pode florescer melhor no plano espiritual.
 
Antes do renascimento interior, deve haver a morte, a perda, a renúncia, a austeridade, “tapah”, em sânscrito.
 
Quarenta dias antes da Páscoa, no auge das dificuldades e do frio no hemisfério norte, começam a quaresma e o jejum. A palavra “carnaval” vem do latim medieval carnelevarium, que significa “afastar a carne”, abster-se de comer carne.
           
Para alguns, jejum talvez seja uma penitência e um castigo.  Na verdade, comer menos e purificar-se como preparação para um novo ciclo nada tem a ver com castigo ou infelicidade. A prática moderada de jejum é recomendável para a manutenção da saúde. O Jesus do Novo Testamento não foi o único a jejuar. “Todos os grandes mestres da humanidade, dentro e fora do cristianismo, conheciam o mistério dinâmico de dois fatores: o jejum e a oração”, escreveu Huberto Rohden. [2]    E um Mestre dos Himalaias escreveu:
 
“Jejum , meditação, castidade em pensamento, palavra e ação; silêncio durante certos períodos de tempo para permitir que a própria natureza fale a quem se aproxime dela em busca de informação; domínio das paixões e impulsos animais; completa ausência de egoísmo nas intenções, e o uso de certo incenso e certas fumigações com objetivos fisiológicos, têm sido apontados como instrumentos desde a época de Platão e Jâmblico, no Ocidente, e desde os tempos ainda mais remotos de nossos Rishishindus.” [3]
           
O processo de purificação interior que prepara um Renascimento não é necessariamente fácil. Um trecho da Bíblia mostra isso e ilustra a necessidade de coragem. Segundo o Novo Testamento, certo dia, quando já faltava pouco para a Páscoa dos judeus, Jesus foi até Jerusalém.   Chegando ao templo, viu vendedores de bois, ovelhas, pombas e diversos cambistas comodamente sentados e tratando de ganhar dinheiro.  Armado de um chicote, Jesus expulsou-os do templo. (João,  2: 13-22).
           
Talvez a primeira conclusão a tirar do episódio é que a Páscoa não deve ser vista como um processo meramente comercial. Não há nada de errado em comprar e vender. O que se deve evitar é a confusão entre o que é comercial e o que é sagrado. Além disso, a idéia de comércio nesse trecho do Novo Testamento é simbólica. Ela se refere a toda busca de lucro ou vantagem pessoal à custa de outrem. O templo, na verdade, é a própria consciência de cada indivíduo. Os “mercadores” a serem “expulsos” são a cobiça, o medo e ambição.  A verdadeira Páscoa ocorre no mundo interno, e para vivê-la é preciso deixar de lado a avidez por ganhos pessoais, inclusive aqueles que são sutis. A Páscoa real celebra o renascimento interior que vem depois que o eu pessoal toma a dura decisão de deixar de comportar-se como se fosse o centro do universo. Isso ocorre porque ele descobriu, de fato,  a realidade eterna que há além das ilusões pessoais de curto prazo.  
           
Em toda caminhada espiritual há resistências e obstáculos a vencer.  Por isso, no episódio da expulsão do templo, os vendedores discutem com Jesus e o mestre faz um desafio que antecipa o futuro:
           
“Destruam esse templo e o levantarei em três dias”. 
           
O Evangelho acrescenta que Jesus não está falando do templo externo, mas do seu próprio corpo.
           
O corpo físico humano é como um templo que não deve ser desrespeitado porque nele mora um espírito divino, uma alma imortal.  Esse templo pode ser destruído, porque a morte é uma necessidade. Mas ele ressurgirá - porque a cada morte corresponde um renascimento.  A filosofia esotérica concorda com Pitágoras e ensina que a reencarnação é um fato e uma lei.  
           
Nem tudo pode ser dito abertamente, a qualquer momento e para qualquer pessoa.  É preciso ter cuidado com as palavras. Mestre Jesus falava ao povo contando pequenas histórias que possuem vários níveis de significados. Um dia, ele explicou aos seus discípulos mais próximos:
           
“A vocês foi dado o mistério do reino de Deus; aos de fora, porém, tudo é dito em parábolas para que, vendo, não percebam, e, ouvindo, não entendam”. (Marcos, 4: 1-2)
 
O que Jesus mostra nessa passagem é que existe no seu ensinamento um aspecto esotérico (interno) e outro exotérico (externo), “para os de fora”. Uma condição central para ter acesso ao aspecto esotérico do ensinamento é a prática das suas lições na vida diária.
           
“Todo aquele que ouve estas minhas palavras e as põe em prática será comparado a um homem sensato que construiu sua casa  sobre rocha”, disse ele ao povo. “Caiu a chuva, vieram as enxurradas, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava alicerçada na rocha” (Mateus, 7: 24-27).
           
Para a filosofia esotérica, as escrituras sagradas das diferentes tradições são coleções de mitos, parábolas e narrativas simbólicas. Funcionam como grandes redes generosamente  atiradas pelospescadores de almas ao mar aberto da humanidade, que só pescam e trazem para os círculos internosaqueles que têm discernimento maduro e tentam continuamente praticar o que aprendem, de modo gradual mas crescente.
           
Tais aprendizes vivem em harmonia com o ensinamento e por isso vão adquirindo “olhos para ver” e “ouvidos para ouvir”.  Aos poucos, a sabedoria espiritual forma uma espécie de templo  na mente  do aprendiz. Esse santuário  interior deve ser protegido das oscilações de curto prazo.
           
Jesus usava alegorias,  e a própria vida de Jesus - tal como narrada nos Evangelhos - é uma parábola. Foi montada com base em ensinamentos e narrativas de religiões e tradições mais antigas que o  cristianismo, inclusive o hinduísmo e o budismo.  [4]
           
O nascimento do Mestre, a traição  que sofreu por parte de  alguém  muito próximo e que o levou à morte, a sua ressurreição, e até a promessa de uma “segunda vinda”, são, todos,  pontos que coincidem com uma lenda egípcia muito mais antiga que os evangelhos cristãos -  a  lenda de Osíris.  E há outros elementos “cristãos” tomados da tradição do Egito, como veremos.
           
O costume de falar por parábolas está presente nas antigas escolas de mistérios. No Ocidente, era uma característica  central do ensinamento de Pitágoras, 500 anos antes da era chamada cristã. O cristianismo romano alimentou-se abertamente do mundo grego. O próprio sacrifício de Sócrates,  que viveu de 470 a 399 antes da era cristã,  já foi comparado à lenda evangélica da morte de Jesus  pelo pensador brasileiro Alceu Amoroso Lima. [5]
           
Helena P. Blavatsky explicou:
 
“Cada atitude do Jesus do Novo Testamento, cada palavra atribuída a ele,  e cada fato relacionado a ele durante os três anos da missão que afirma-se que ele cumpriu, estão baseados no Ciclo da Iniciação, um ciclo fundado na precessão dos equinócios e nos signos do Zodíaco”.[6]   
 
O próprio Ciclo da Iniciação é mencionado na lenda dos evangelhos quando Jesus se refere ao “caminho estreito e difícil que só uns poucos encontram” (Mateus, 7:13-14).
           
Em “Ísis Sem Véu”, H.P.B. escreveu:  
           
“Era a doutrina da Índia antiga que Jesus estava pregando, quando recomendava a completa renúncia ao mundo e às suas futilidades para buscar o reino dos céus,  Nirvana”. [7]
           
Jesus ensinava sobre a ressurreição e a descrevia como algo que estará ao alcance -  algum dia -  de todos aqueles que percorrerem o “caminho estreito”.  Mas o que é, exatamente,  ressurreição?  
 
Há vários níveis de resposta para esta pergunta. Vejamos dois deles. Por um lado, a grande ressurreição constitui um projeto de longo prazo. Ela é a libertação espiritual completa, a iluminação definitiva, alcançada apenas por grandes sábios depois de percorrerem,  como Jesus, “todo o ciclo da iniciação”, um processo que envolve repetidas encarnações.
           
Por outro lado, existe também uma modalidade de ressurreição que está apenas um passo à nossa frente. Podemos vivê-la em pequena escala e no estágio de desenvolvimento em que estamos.  Esse é um detalhe decisivo.  Toda longa caminhada deve começar com um primeiro e pequeno gesto feito exatamente onde o indivíduo está.   
           
O primeiro passo só depende de cada um, e cada passo é sempre o primeiro da extensa caminhada. O longo ciclo das iniciações é vivido em pequena escala no dia-a-dia, porque o microcosmo reflete o macrocosmo. O Sistema solar está presente em cada átomo. O caminho do autoconhecimento encontra o seu resumo fiel  num dia de 24 horas e numa  semana de sete dias. O descanso da noite - e o final da semana -  são como a ressurreição.  
 
A celebração da Páscoa – um costume seguramente pré-judaico e inter-religioso - constitui uma prova viva de que a evolução da alma se dá em comunhão com  o ciclo anual do Sol, e de que coincide com o ciclo das grandes iniciações da filosofia oriental.     
           
Os ovos de Páscoa são herança dos festivais pagãos da primavera do hemisfério norte.  Eles simbolizam o renascimento da vida em toda sua variedade.  Já a presença do coelho nesse “festival de renascimento”  pertence à cultura egípcia. A lebre era símbolo da fertilidade e representava  a periodicidade dos ciclos naturais da vida. A tradição afirmava que o coelho costuma esconder ovos de Páscoa para as crianças procurarem.
           
As crianças estão ligadas à Páscoa e, de fato, elas são símbolos indiscutíveis do recomeço da vida.  Internamente todo ser humano é como uma criança até o final da sua existência, porque há nele algo que está  sempre  renascendo.  Quando o indivíduo passa a ser consciente disso, ele vive  mais diretamente a primavera permanente que se oculta em cada uma das quatro estações do ano. E isso não é tudo.  Ele também vive com mais eficiência o ciclo maior das quatro idades de uma vida completa.   
 
O outono simboliza a maturidade. O inverno é a velhice. A primavera é a infância, e o verão, a juventude. As quatro idades são igualmente importantes. Não basta ser como crianças para ter acesso ao reino dos céus, isto é, à consciência nirvânica. Para alcançar a iluminação e receber a bênção eterna, é preciso viver simultaneamente as quatro estações do ano a cada dia.
 
Deve-se combinar a generosidade e a capacidade de aprender, que caracterizam a primavera, com a força e a coragem do verão, que simboliza a juventude.  A maturidade do outono, assim como a sabedoria e a humilde renúncia que são típicas do inverno, constituem características igualmente importantes para quem quer viver a Páscoa de modo completo.    
 
 
NOTAS:
 
[1] Richard Heinberg em “The Meaning of the Solstices”, artigo na revista teosófica The Quest, inverno de 1993, Wheaton, Illinois, EUA.  
 
[2] “O Poder do Jejum”, coletânea, volume da Ed. Martim Claret, 1995, p. 50.
 
[3] “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, Ed. Teosófica, Brasília, 2001, edição em dois volumes, Carta 20, volume I, p. 135.
 
[4] Para ver uma demonstração do caráter lendário dos Evangelhos cristãos,  examine o longo trecho da obra “Ísis Sem Véu” em que  Helena Blavatsky faz um estudo comparado das narrativas sobre as vidas de Krishna, Buddha e Jesus. (“Ísis Sem Véu”, H.P.B., Editora Pensamento, SP, edição em quatro volumes, ver volume IV, pp. 165-170, e também p.179, entre outras.) 
 
[5] Platão, “Apologia de Sócrates”,  prefácio de Alceu Amoroso Lima, Edições de Ouro, 16a. edição.
 
[6] “Reply to the Mistaken Conceptions of the Abbé Roca Concerning My Observations on Christian Esotericism”, texto incluído em “Collected Writings”, Helena P. Blavatsky, edição em 15 volumes.  Ver volume IX, TPH, India, 1962, 488 pp., página 225, nota ao pé de página.
 
[7] “Isis Unveiled”, Helena P. Blavatsky, Theosophy Company, Los Angeles, vol. II, p. 286.
 
 
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domingo, 11 de março de 2012

“A Crise Planetária e a Civilização do Futuro”

Amigos,

Aproveitando a ambiência propícia à ação de uma consciência planetária, acabamos de publicar no blog www.VislumbresDaOutraMargem.com o caderno filosófico com o título:

“A Crise Planetária e a Civilização do Futuro”

O caderno também pode ser baixado através do Scribd. Link direto: 


O caderno consiste na compilação de vários dos textos que se encontram na seção “Transição Planetária e Civilização do Futuro” do nosso website www.FilosofiaEsoterica.com.

Pretende-se desta forma tornar acessível a um público amplo um caderno que pode ser arquivado e/ou impresso para uma calma leitura e reflexão sobre o atual momento planetário e o futuro da humanidade, à luz da Teosofia original.

O caderno também se encontra acessível na página do Facebook do www.VislumbresDaOutraMargem.com e do www.FilosofiaEsoterica.com .

Fraternalmente,

Joaquim Soares

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Decisões Para o Ano Novo





O Modo Certo de Reiniciar um Ciclo da Vida
  
Robert Crosbie
  
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O artigo a seguir é traduzido do volume
“The Friendly Philosopher”, de Robert
Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles,
1945, 415 pp.,pp. 310-314. O texto conclui
mencionando o fato de que, segundo os
Mestres de Sabedoria, a humanidade em seu
conjunto é a grande órfã, já que poucos
indivíduos pensam no bem dela como um todo.
Muitos sofrem de grave ignorância espiritual e
pensam apenas em si mesmos isoladamente.
Acrescentamos duas notas explicativas.  

(C. C. A.)

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“... A nossa vontade opera na verdade
em todas as partes da nossa vida física, embora
talvez não possamos perceber e compreender o processo.”



Todos indubitavelmente já tomaram decisões alguma vez na época do Ano Novo, e todos, sem dúvida, já falharam ao tentar cumpri-las. Deve haver alguma razão para as nossas falhas, assim como para o fato de que em certa época do ano temos uma inclinação a tomar decisões.

Estas razões estão ocultas nas profundezas do nosso próprio ser.

Talvez, sem que saibamos, nós tenhamos uma percepção natural da lei oculta ao olharmos para este período específico do ano. Os antigos celebravam o chamado “nascimento do Sol”, ou o retorno do Sol, que começa - no hemisfério norte do planeta - dia 21 de dezembro. [1] Eles sabiam que todas as forças ocultas da natureza têm uma tendência a crescer e a elevar-se a partir do retorno do Sol. Quando os raios solares ficam mais quentes e mais fortes, todas as outras forças que acompanham o Sol e que estão presentes em nós se fortalecem em nosso interior. [2] Na onda crescente de renovação psíquica e espiritual, tudo o que desejamos fazer ganha  um impulso maior do que nas outras épocas do ano.

A razão para o fracasso em nossas decisões pessoais está no fato de que não entendemos nossa própria natureza. Consequentemente, não somos capazes de usar a força e a influência que há em nosso interior, do ponto de vista físico, e nos parece difícil cumprir decisões de qualquer tipo. Nosso primeiro erro é tomar decisões negativas. Nós dizemos: “não vou mais ingerir bebidas alcoólicas”, “não vou mais mentir”, “não vou mais fazer isso ou aquilo”. Mas a decisão certa a tomar é - “eu vou fazer isso ou aquilo” - indo além da situação atual.

Neste caso fazemos uma afirmação direta da vontade, enquanto na outra forma adotamos uma posição apenas negativa. Talvez tenhamos pensado, em relação aos outros ou a nós mesmos, que não fazeruma série de ações questionáveis é suficiente para ser “bons”. Nesta situação, na verdade, apenas não seremos maus. É uma posição negativa. Mas a verdadeira bondade é uma posição positiva.

Para colocar em prática nossas decisões em relação ao novo ano, devemos evocar a vontade do ser humano, porque a vontade não pode ser bloqueada por qualquer forma de obstáculo. No entanto, aqui não estamos usando a palavra “vontade” no sentido convencional. Temos a tendência a pensar que uma pessoa muito determinada na busca dos seus próprios objetivos possui “uma vontade forte” e é muito definida em seu caráter, mas este tipo de pessoa mostra apenas uma forma de vontade. Este tipo de indivíduo tem desejos muito fortes, e é guiado por eles, mas não possui Vontade.

Há muitos aspectos da Vontade. Alguns deles são difíceis de reconhecer. O próprio desejo de viver é um aspecto sutil da Vontade. Se o desejo de viver não estivesse presente, não viveríamos. Não é o corpo físico que nos mantém aqui, mas o desejo de viver. Atrás da Vontade, há sempre o Desejo. De algum modo, cada um dos órgãos e processos corporais do ser humano tomou forma através de um esforço consciente. Até o processo de digerir, o processo de assimilar, o esforço das batidas do coração e as várias qualidades e funções de todos os órgãos foram produzidos como resultado de esforços conscientes. Hoje temos órgãos que trabalham automaticamente, enquanto focamos nossa consciência, nossa percepção e atenção em outras direções. Deste modo, a nossa vontade opera na verdade em todas as partes da nossa vida física, embora talvez não possamos perceber e compreender o processo. Há também uma fase mental da vontade que deve ser cultivada através da prática: a atenção fixa, ou concentração em determinada direção, de modo a produzir certos resultados desejados.

A real e verdadeira Vontade é conhecida como Vontade Espiritual. Ela voa como a luz e corta todos os obstáculos tal como uma espada afiada. É esta Vontade, surgindo da mais elevada parte espiritual da nossa natureza, que faz com que o ser humano seja um processo de evolução. A evolução avança de dentro para fora, através de todos os tipos de substâncias,  e continua a produzir instrumentos neste estado material. Todos os poderes que existem ou que podem existir - ainda que expressos precariamente - estão presentes, em potencial, no plano espiritual da natureza. Nós aproveitamos nossa natureza espiritual em uma pequena medida porque a maior parte de nós tem suas ideias tão presas à existência material que enxerga a vida como se ela fosse apenas a existência material. 

Houve um tempo em que tínhamos consciência da nossa natureza espiritual. À medida que fomos descendo através dos planos da matéria até a condição de hoje, fizemos um progresso intelectual às custas da percepção espiritual. Com nosso intelecto, sempre raciocinamos desde as premissas até as conclusões, enquanto que a natureza espiritual tem o poder de conhecer diretamente a natureza de qualquer coisa que seja observada. Assim, nosso ganho intelectual ocorreu ao lado da perda da percepção espiritual, e é inútil que a teologia, a ciência e a psicologia tentem avançar desde as percepções físicas e pessoais para obter uma compreensão do que o ser humano é na realidade: segundo tais campos de conhecimento, as causas psicológicas são apenas reflexos das ideias físicas. Na realidade, para compreender a nós mesmos, devemos começar desde o ponto mais alto da nossa natureza, reconhecendo em primeiro lugar que tal ponto existe, e em seguida mantendo a força de tal reconhecimento. Começamos a ver a luz através da própria afirmação da natureza espiritual.

Tal como estamos hoje, sempre usamos nossa vontade ao longo da linha dos nossos desejos e daquilo que gostamos e não gostamos, pensando erradamente que esta é uma base adequada para o pensamento e a ação. O realmente necessário é um alicerce verdadeiro para o nosso pensamento.

Devemos eliminar a falsa ideia de que se somos criaturas fracas, que tendem ao erro e possuem todas as falhas dos nossos pais e avós, isso ocorre porque nascemos assim.

É necessário destruir a ilusão mental de um criador externo. Devemos entender o propósito da vida e compreender que somos o produto de muitas das nossas próprias vidas anteriores.

Devemos reconhecer que a evolução ocorre de acordo com a lei. A lei reúne em si verdade e compaixão, e opera por toda parte. É porque esta lei funciona em um ciclo sempre renovado que nós tomamos decisões para o Ano Novo. Podemos colocar na prática estas decisões, se compreendermos e usarmos a lei da repetição cíclica. (....)

Algumas Decisões a Tomar

Devemos, portanto, tomar uma grande decisão. Devemos decidir que buscaremos o conhecimento, e que pensaremos e agiremos corretamente.

Devemos decidir que obteremos algo daquele conhecimento que sempre existiu; o conhecimento de que o ser humano permanece sendo um ser espiritual através de todas as flutuações do reino da matéria.

À medida que confiamos cada vez mais no Eu superior, começamos a expressar e usar o poder que nós já temos; e este poder é muito maior do que imaginamos.

Podemos ajudar a nós mesmos colocando em prática as sugestões contidas nos ensinamentos teosóficos. Elas são sugestões dos Mestres. Assim, à medida que o poder estabilizador da vontade é mantido ao longo da linha em que desejamos agir, surge uma ajuda mais direta dos Irmãos Mais Velhos da nossa humanidade. A cada momento do dia e do ano, eles estão dispostos a encontrar aqueles que tiverem uma visão suficientemente clara para ver o seu verdadeiro destino, e que tiverem um coração suficientemente nobre para trabalhar pela grande órfã, a humanidade.


NOTAS:

[1] No hemisfério norte, a época do Natal marca a retomada de força por parte do Sol, após o período mais forte do inverno. No hemisfério sul, por outro lado, o período de 21 a 25 de dezembro corresponde ao momento em que a luz do sol, depois de chegar ao seu auge, passa lentamente a perder força, preparando o outono e o inverno. Há uma simetria entre os hemisférios norte e sul do planeta. Com o decréscimo cíclico da luz física, que começa na época de Natal no hemisfério Sul, a vida passa a se recolher. Este recolhimento abre espaço para a luz sutil da alma imortal - o sol interior.  

[2] Além do ciclo solar, há o fator numerológico. Segundo a teosofia, os números têm poder oculto. Os primeiros dias do primeiro mês do ano possuem o dom de inaugurar tendências que abrirão caminho e durarão, potencialmente, por todo o ciclo de doze meses.

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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sábado, 29 de outubro de 2011

Afinal, o que é mesmo uma universidade?
A universidade enquanto conceito reserva muito elementos utópicos, no entanto o homem moderno possui extrema dificuldade em pensar analisar estes elementos através da reflexão crítica. Parece que a rapidez da modernização científica e tecnológica força o esquecimento do ideal de universidade enquanto projeto a ser pensado. A racionalidade no universo acadêmico deve voltar-se a fortalecer as questões humanísticas para que não deixe a universidade se perder nas amarras do discurso alienado que se volta para as questões econômicas do sistema capitalista, o qual quer transformar a educação, o bem mais precioso da humanidade em mercadoria.
O conceito de acadêmico pressupõe o conceito filosófico, pois segundo Pieper, “(...) um estudo sem filosofia não é um estudo acadêmico”. Para uma universidade que tem o estudo voltado para os objetivos práticos, não basta apenas ter uma disciplina filosófica em seu currículo, mas que pense ser necessário algo mais do que pura necessidade e preocupação com a rapidez tecnicista do resultado útil e imediato.Segundo Arnildo Pommer: “a academia não pode ser lugar de conservantismo, ela tem a obrigação filosófico-epistêmico de compreender o presente” (POMMER, Arnildo; 1999). Diante destes pressupostos podemos dizer que não há universidade sem a diversidade de conhecimentos, inclusive o filosófico.
A universidade tem o dever de se diferenciar de todas as outras instituições, pois deve ser o lugar de resistência, que lute contra a mecanização do ensino, devendo constantemente fazer uma reflexão radial e dinâmica, perante a rapidez voraz e destruidora da técnica e da modernização científica. Porque segundo o célebre filósofo, escritor e poeta Mário Osório Marques: “(...) o processo científico e tecnológico é invenção humana, não fatalidade histórica”. (MARQUES, Mario Osório; 1999).
Esperamos que os ideais de Mario Osório Marques não sejam destruídos pelos medíocres pensamentos massificados do modelo capitalista que no momento se fazem presentes, e que o verdadeiro significado de universidade seja compreendido e aplicado nas práticas educacionais das universidades.
Luana de Oliveira e Luís Fernando Jaques, acadêmicos de Filosofia da Unijuí.
Referência: Introdução à Filosofia. Org. Paulo Rudi Schneider. Editora UNIJUÍ. Ijuí.1999. p.165.