domingo, 11 de março de 2012

“A Crise Planetária e a Civilização do Futuro”

Amigos,

Aproveitando a ambiência propícia à ação de uma consciência planetária, acabamos de publicar no blog www.VislumbresDaOutraMargem.com o caderno filosófico com o título:

“A Crise Planetária e a Civilização do Futuro”

O caderno também pode ser baixado através do Scribd. Link direto: 


O caderno consiste na compilação de vários dos textos que se encontram na seção “Transição Planetária e Civilização do Futuro” do nosso website www.FilosofiaEsoterica.com.

Pretende-se desta forma tornar acessível a um público amplo um caderno que pode ser arquivado e/ou impresso para uma calma leitura e reflexão sobre o atual momento planetário e o futuro da humanidade, à luz da Teosofia original.

O caderno também se encontra acessível na página do Facebook do www.VislumbresDaOutraMargem.com e do www.FilosofiaEsoterica.com .

Fraternalmente,

Joaquim Soares

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Decisões Para o Ano Novo





O Modo Certo de Reiniciar um Ciclo da Vida
  
Robert Crosbie
  
0000000000000000000000000000000000000

O artigo a seguir é traduzido do volume
“The Friendly Philosopher”, de Robert
Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles,
1945, 415 pp.,pp. 310-314. O texto conclui
mencionando o fato de que, segundo os
Mestres de Sabedoria, a humanidade em seu
conjunto é a grande órfã, já que poucos
indivíduos pensam no bem dela como um todo.
Muitos sofrem de grave ignorância espiritual e
pensam apenas em si mesmos isoladamente.
Acrescentamos duas notas explicativas.  

(C. C. A.)

000000000000000000000000000000000000000000000


“... A nossa vontade opera na verdade
em todas as partes da nossa vida física, embora
talvez não possamos perceber e compreender o processo.”



Todos indubitavelmente já tomaram decisões alguma vez na época do Ano Novo, e todos, sem dúvida, já falharam ao tentar cumpri-las. Deve haver alguma razão para as nossas falhas, assim como para o fato de que em certa época do ano temos uma inclinação a tomar decisões.

Estas razões estão ocultas nas profundezas do nosso próprio ser.

Talvez, sem que saibamos, nós tenhamos uma percepção natural da lei oculta ao olharmos para este período específico do ano. Os antigos celebravam o chamado “nascimento do Sol”, ou o retorno do Sol, que começa - no hemisfério norte do planeta - dia 21 de dezembro. [1] Eles sabiam que todas as forças ocultas da natureza têm uma tendência a crescer e a elevar-se a partir do retorno do Sol. Quando os raios solares ficam mais quentes e mais fortes, todas as outras forças que acompanham o Sol e que estão presentes em nós se fortalecem em nosso interior. [2] Na onda crescente de renovação psíquica e espiritual, tudo o que desejamos fazer ganha  um impulso maior do que nas outras épocas do ano.

A razão para o fracasso em nossas decisões pessoais está no fato de que não entendemos nossa própria natureza. Consequentemente, não somos capazes de usar a força e a influência que há em nosso interior, do ponto de vista físico, e nos parece difícil cumprir decisões de qualquer tipo. Nosso primeiro erro é tomar decisões negativas. Nós dizemos: “não vou mais ingerir bebidas alcoólicas”, “não vou mais mentir”, “não vou mais fazer isso ou aquilo”. Mas a decisão certa a tomar é - “eu vou fazer isso ou aquilo” - indo além da situação atual.

Neste caso fazemos uma afirmação direta da vontade, enquanto na outra forma adotamos uma posição apenas negativa. Talvez tenhamos pensado, em relação aos outros ou a nós mesmos, que não fazeruma série de ações questionáveis é suficiente para ser “bons”. Nesta situação, na verdade, apenas não seremos maus. É uma posição negativa. Mas a verdadeira bondade é uma posição positiva.

Para colocar em prática nossas decisões em relação ao novo ano, devemos evocar a vontade do ser humano, porque a vontade não pode ser bloqueada por qualquer forma de obstáculo. No entanto, aqui não estamos usando a palavra “vontade” no sentido convencional. Temos a tendência a pensar que uma pessoa muito determinada na busca dos seus próprios objetivos possui “uma vontade forte” e é muito definida em seu caráter, mas este tipo de pessoa mostra apenas uma forma de vontade. Este tipo de indivíduo tem desejos muito fortes, e é guiado por eles, mas não possui Vontade.

Há muitos aspectos da Vontade. Alguns deles são difíceis de reconhecer. O próprio desejo de viver é um aspecto sutil da Vontade. Se o desejo de viver não estivesse presente, não viveríamos. Não é o corpo físico que nos mantém aqui, mas o desejo de viver. Atrás da Vontade, há sempre o Desejo. De algum modo, cada um dos órgãos e processos corporais do ser humano tomou forma através de um esforço consciente. Até o processo de digerir, o processo de assimilar, o esforço das batidas do coração e as várias qualidades e funções de todos os órgãos foram produzidos como resultado de esforços conscientes. Hoje temos órgãos que trabalham automaticamente, enquanto focamos nossa consciência, nossa percepção e atenção em outras direções. Deste modo, a nossa vontade opera na verdade em todas as partes da nossa vida física, embora talvez não possamos perceber e compreender o processo. Há também uma fase mental da vontade que deve ser cultivada através da prática: a atenção fixa, ou concentração em determinada direção, de modo a produzir certos resultados desejados.

A real e verdadeira Vontade é conhecida como Vontade Espiritual. Ela voa como a luz e corta todos os obstáculos tal como uma espada afiada. É esta Vontade, surgindo da mais elevada parte espiritual da nossa natureza, que faz com que o ser humano seja um processo de evolução. A evolução avança de dentro para fora, através de todos os tipos de substâncias,  e continua a produzir instrumentos neste estado material. Todos os poderes que existem ou que podem existir - ainda que expressos precariamente - estão presentes, em potencial, no plano espiritual da natureza. Nós aproveitamos nossa natureza espiritual em uma pequena medida porque a maior parte de nós tem suas ideias tão presas à existência material que enxerga a vida como se ela fosse apenas a existência material. 

Houve um tempo em que tínhamos consciência da nossa natureza espiritual. À medida que fomos descendo através dos planos da matéria até a condição de hoje, fizemos um progresso intelectual às custas da percepção espiritual. Com nosso intelecto, sempre raciocinamos desde as premissas até as conclusões, enquanto que a natureza espiritual tem o poder de conhecer diretamente a natureza de qualquer coisa que seja observada. Assim, nosso ganho intelectual ocorreu ao lado da perda da percepção espiritual, e é inútil que a teologia, a ciência e a psicologia tentem avançar desde as percepções físicas e pessoais para obter uma compreensão do que o ser humano é na realidade: segundo tais campos de conhecimento, as causas psicológicas são apenas reflexos das ideias físicas. Na realidade, para compreender a nós mesmos, devemos começar desde o ponto mais alto da nossa natureza, reconhecendo em primeiro lugar que tal ponto existe, e em seguida mantendo a força de tal reconhecimento. Começamos a ver a luz através da própria afirmação da natureza espiritual.

Tal como estamos hoje, sempre usamos nossa vontade ao longo da linha dos nossos desejos e daquilo que gostamos e não gostamos, pensando erradamente que esta é uma base adequada para o pensamento e a ação. O realmente necessário é um alicerce verdadeiro para o nosso pensamento.

Devemos eliminar a falsa ideia de que se somos criaturas fracas, que tendem ao erro e possuem todas as falhas dos nossos pais e avós, isso ocorre porque nascemos assim.

É necessário destruir a ilusão mental de um criador externo. Devemos entender o propósito da vida e compreender que somos o produto de muitas das nossas próprias vidas anteriores.

Devemos reconhecer que a evolução ocorre de acordo com a lei. A lei reúne em si verdade e compaixão, e opera por toda parte. É porque esta lei funciona em um ciclo sempre renovado que nós tomamos decisões para o Ano Novo. Podemos colocar na prática estas decisões, se compreendermos e usarmos a lei da repetição cíclica. (....)

Algumas Decisões a Tomar

Devemos, portanto, tomar uma grande decisão. Devemos decidir que buscaremos o conhecimento, e que pensaremos e agiremos corretamente.

Devemos decidir que obteremos algo daquele conhecimento que sempre existiu; o conhecimento de que o ser humano permanece sendo um ser espiritual através de todas as flutuações do reino da matéria.

À medida que confiamos cada vez mais no Eu superior, começamos a expressar e usar o poder que nós já temos; e este poder é muito maior do que imaginamos.

Podemos ajudar a nós mesmos colocando em prática as sugestões contidas nos ensinamentos teosóficos. Elas são sugestões dos Mestres. Assim, à medida que o poder estabilizador da vontade é mantido ao longo da linha em que desejamos agir, surge uma ajuda mais direta dos Irmãos Mais Velhos da nossa humanidade. A cada momento do dia e do ano, eles estão dispostos a encontrar aqueles que tiverem uma visão suficientemente clara para ver o seu verdadeiro destino, e que tiverem um coração suficientemente nobre para trabalhar pela grande órfã, a humanidade.


NOTAS:

[1] No hemisfério norte, a época do Natal marca a retomada de força por parte do Sol, após o período mais forte do inverno. No hemisfério sul, por outro lado, o período de 21 a 25 de dezembro corresponde ao momento em que a luz do sol, depois de chegar ao seu auge, passa lentamente a perder força, preparando o outono e o inverno. Há uma simetria entre os hemisférios norte e sul do planeta. Com o decréscimo cíclico da luz física, que começa na época de Natal no hemisfério Sul, a vida passa a se recolher. Este recolhimento abre espaço para a luz sutil da alma imortal - o sol interior.  

[2] Além do ciclo solar, há o fator numerológico. Segundo a teosofia, os números têm poder oculto. Os primeiros dias do primeiro mês do ano possuem o dom de inaugurar tendências que abrirão caminho e durarão, potencialmente, por todo o ciclo de doze meses.

0000000000000000

Visite sempre

Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

000000000000000000000000000000000000000000000000000

sábado, 29 de outubro de 2011

Afinal, o que é mesmo uma universidade?
A universidade enquanto conceito reserva muito elementos utópicos, no entanto o homem moderno possui extrema dificuldade em pensar analisar estes elementos através da reflexão crítica. Parece que a rapidez da modernização científica e tecnológica força o esquecimento do ideal de universidade enquanto projeto a ser pensado. A racionalidade no universo acadêmico deve voltar-se a fortalecer as questões humanísticas para que não deixe a universidade se perder nas amarras do discurso alienado que se volta para as questões econômicas do sistema capitalista, o qual quer transformar a educação, o bem mais precioso da humanidade em mercadoria.
O conceito de acadêmico pressupõe o conceito filosófico, pois segundo Pieper, “(...) um estudo sem filosofia não é um estudo acadêmico”. Para uma universidade que tem o estudo voltado para os objetivos práticos, não basta apenas ter uma disciplina filosófica em seu currículo, mas que pense ser necessário algo mais do que pura necessidade e preocupação com a rapidez tecnicista do resultado útil e imediato.Segundo Arnildo Pommer: “a academia não pode ser lugar de conservantismo, ela tem a obrigação filosófico-epistêmico de compreender o presente” (POMMER, Arnildo; 1999). Diante destes pressupostos podemos dizer que não há universidade sem a diversidade de conhecimentos, inclusive o filosófico.
A universidade tem o dever de se diferenciar de todas as outras instituições, pois deve ser o lugar de resistência, que lute contra a mecanização do ensino, devendo constantemente fazer uma reflexão radial e dinâmica, perante a rapidez voraz e destruidora da técnica e da modernização científica. Porque segundo o célebre filósofo, escritor e poeta Mário Osório Marques: “(...) o processo científico e tecnológico é invenção humana, não fatalidade histórica”. (MARQUES, Mario Osório; 1999).
Esperamos que os ideais de Mario Osório Marques não sejam destruídos pelos medíocres pensamentos massificados do modelo capitalista que no momento se fazem presentes, e que o verdadeiro significado de universidade seja compreendido e aplicado nas práticas educacionais das universidades.
Luana de Oliveira e Luís Fernando Jaques, acadêmicos de Filosofia da Unijuí.
Referência: Introdução à Filosofia. Org. Paulo Rudi Schneider. Editora UNIJUÍ. Ijuí.1999. p.165.

sábado, 24 de setembro de 2011

A Ponte Entre Céu e Terra

Antahkarana: a Ligação Dinâmica
Entre o Eu Mortal e a Alma Imortal
 
 

Carlos Cardoso Aveline

 

 

 

00000000000000
 
 
000000000000000000000000
 
Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento. 
 
0000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000

sábado, 3 de setembro de 2011

O SerAtento Como Sala de Aula


Reflexões Sobre a Aprendizagem de Teosofia
 
 
Arnalene Passos

0000000000000000000000000000000000000000

Fundado em 29 de agosto de 2005, o e-grupo
SerAtento funciona em YahooGrupos. O texto a
seguir é resultado de um diálogo online realizado em agosto
de 2011 entre associados da Loja Unida de Teosofistas, LUT.

00000000000000000000000000000000000000000000000000000



Se fôssemos escrever sobre nossa primeira experiência escolar, a criança que chora para não se soltar das mãos dos pais no primeiro dia de aula seria uma cena comum. O mesmo medo se apresenta sempre que estamos frente ao desconhecido.

Conduzidos pelas mãos da Grande Lei, chegamos a uma escola para infância espiritual. Aqui  os critérios de seleção são afinidade e não idade; mente aberta e não conhecimento adquirido; humildade diante da grandeza do conhecimento, e outros.  

Repetimos então a mesma cena da criança que chora.  Nos agarramos a conceitos e crenças, gastando um tempo precioso, até soltarmos paradigmas que limitam e embaçam nossa visão. Isto não acontece sem dor, e nem todos dão conta de esvaziar a mochila.

Diante do mundo de informações que se descortina, sem roteiro curricular, custamos a entender que:

*“...Cada estudante deve construir com independência sua própria trajetória para chegar ao conhecimento. ” 

* “A busca da verdade deve estruturar-se de dentro para fora na mente e no coração de cada estudante. ”

* “A teosofia mostra a falsidade da figura do ‘intermediário’. O impulso em busca do conhecimento filosófico deve ser individual, porque a responsabilidade cármica diante da vida pertence a cada um e não pode ser transferida para alguma organização ou líder.” [1]

Com a pedagogia compreendida, começamos a escrever a nossa história de busca pela verdade através dos ensinamentos teosóficos. A fase bem conhecida por todos é a dos porquês. O ritmo depende apenas da  “motivação interna  e a visão do dever de cada indivíduo para com sua própria consciência e sua alma imortal.” [2]

Aqui estamos, aprendizes nesta escola em que o diploma é o discernimento, e a clareza do dever. Aprender e transmitir são simultâneos, e o teste do conhecimento é a vivência em nosso no dia-a-dia. 

Alguns parágrafos selecionados para reflexão:

* O SerAtento surge em 29 de agosto de 2005 como instrumento para realizar um curso online de dois meses sobre a primeira parte do livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline. O nome do grupo é “O Caminho do Guerreiro” e reproduz o título da primeira parte da obra. 

* O SerAtento constitui um laboratório de pesquisa teórica e prática  situado no centro de um pequeno sistema dinâmico de produção, publicação e distribuição de textos sobre filosofia esotérica clássica e a arte de viver corretamente. Sua referência central é a vasta obra escrita - e também o exemplo de vida - da pensadora russa Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). 

* A ênfase maior dos estudos e diálogos do SerAtento é dada, pois, ao autoconhecimento, ao estudo filosófico, à auto-responsabilidade e ao esforço por viver com ética e sabedoria. [2]

* O e-grupo SerAtento pode ser visto como uma egrégora ou campo energético que rodeia um ideal e um saber filosófico de caráter planetário.  Enxergando o SerAtento como um processo vivo,  é possível investigar em que plano da realidade ele existe, já que sua atividade não ocorre exatamente no plano físico. 

* O SerAtento não é apenas intelectual. Não é feito só de palavras. Seu processo dinâmico ocorre na luz astral, mas se desdobra em sete níveis de consciência. Ele é como um templo sutil. Ele funciona como uma sala de reuniões teosóficas. Ele é um exercício constante da Prática da Presença Sagrada. O SerAtento é um lugar real, mas não é físico. Ele é mais real, talvez, do que uma sala de quatro paredes feitas de tijolos. O SerAtento é um prédio construído com pensamentos. [3]

Pontos de Vista Sobre o SerAtento

Nosso esforço em pontuar a vida pelos princípios teosóficos é a força que une e  fortalece o trabalho focado, pioneiro e corajoso que esta recém criada loja luso-brasileira da Loja Unida de Teosofistas, LUT, vem desenvolvendo no campo internacional,  visando renovar o movimento teosófico.

Um membro da coordenação do e-grupo escreveu:

“O  SerAtento é um processo em que aprendemos uns com os outros e com o ensinamento, fazendo isso na proporção adequada para cada um, conforme o processo natural de cada indivíduo.”

Desde Santa Catarina um estudante esclareceu o seguinte:

“Mesmo não conseguindo penetrar profundamente nas verdades da Teosofia Autêntica, percebemos a grandeza e a precisão dos ensinamentos ofertados altruisticamente pelos Mestres, por HPB, W. Q. Judge, Crosbie, J. Garrigues, e tantos outros ao longo destes anos, desde 1875. Com um coração de gratidão pela obra, dadas as nossas limitações individuais cármicas, só nos resta divulgar o mais amplamente possível estas verdades, na esperança de que tenham sobre os outros caminhantes, os mesmos efeitos transformadores que tiveram sobre nós.”

Recebemos o seguinte testemunho desde o estado do Espírito Santo:  

“Eu vejo um doar diário aqui no Atento... de diversas maneiras e isso é tão belo, mostra nossa diversidade na unidade! Nem sei dizer do tanto que já aprendi com vocês,  meus Companheiros de Caminhada! E divulgar os Ensinamentos, repassar TEOSOFIA,  é nossa forma de retribuição ! Nossa pequena grande forma de retribuir.”

E uma estudante escreveu de Goiânia:

“O SerAtento é uma verdadeira  escola de Teosofia, sem dúvida, creio que todos nos sentimos aqui numa sala de aula. E muito, muito mesmo, essa escola tem contribuído com as boas mudanças em minha vida. Hoje meu pensamento não está no aqui, no agora; está mais além, no longo prazo. E a Teosofia e o SerAtento têm uma participação real nisso.”

O seguinte testemunho veio do interior de Minas Gerais:

 “Os estudos e diálogos promovidos pelo Ser Atento, o autoconhecimento e a auto-responsabilidade nos permite caminhar em solo firme, fortalece o nosso interesse pela Teosofia, sua compreensão e sua prática. Muitos desdobramentos, dimensões, vastidões surgem a partir de nossa existência, das nossas reflexões. A mente vai despertando e o campo das possibilidades avança como um impulso determinador de futuras vivências e realidades. Assim vamos enfrentando nossa existência e aos poucos descobrindo o seu sentido e a sua grandeza.”

E da região Centro-Oeste:

“Penso que a força real do Atento é a força da veracidade que há em nosso trabalho e em nossas vidas. Qual é a relação entre o que pensamos e o que dizemos? Qual a relação entre o que pensamos, sentimos, dizemos e fazemos? Qual é nosso compromisso  com nossas próprias (boas) intenções? Somos realistas em nossas metas? Estes pontos são fundamentais para que possamos calcular de fato e conhecer a força real do SerAtento - e do nosso trabalho como um todo.”

Finalizo com palavras de um teosofista que vive no sul do país. Ele escreveu: 

“Atentos no dia-a-dia, poderemos olhar para trás e verificar o quanto este processo foi verdadeiramente alquímico na nossa vida, e veremos com clareza as mudanças, e principalmente o quanto ainda precisamos caminhar. Só com o apoio solidário e cooperativo dos corações e mentes de todos os atentos, poderemos nos tornar mais úteis a todos os seres.”


NOTAS:

[1] Fragmentos de “A Arte de Estudar Teosofia”, de Carlos Cardoso Aveline, link direto - http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1157 .

[2] “O Que é o SerAtento”, texto assinado por Um Estudante de Teosofia, link direto http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=977 .

[3] Artigo “A Egrégora do E-grupo SerAtento”, em “O Teosofista” de Fevereiro de 2011,  link direto http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1105 .


00000000000000000


Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupoSerAtento.

Poderá também gostar de:

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Como Tirar Proveito dos Inimigos

 

A Arte de Aprender com as Dificuldades

Carlos Cardoso Aveline

Uma velha fábula indiana conta que, há milhares de anos, vivia em um templo abandonado uma grande cobra venenosa. Seu nome era Naga. Em geral, Naga tinha bons sentimentos, mas despertava terror nos habitantes da aldeia próxima porque –  quando incomodada –  atacava as pessoas.
 
Certo dia, um sábio desconhecido apareceu misteriosamente no local.  Sentou-se junto ao templo e chamou Naga para uma conversa. Disse-lhe que a vida é, na verdade,  uma grande  escola espiritual, e que aprendemos o tempo todo, mesmo quando não temos consciência disso. “Mas o aprendizado é muito mais rápido ― e muito mais difícil ― quando fazemos um esforço consciente por iniciativa própria”, acrescentou. 
A consciência de Naga se expandiu. O animal viu a luz da sabedoria, e disse que desejava trilhar o caminho do esforço consciente. O instrutor mencionou então duas condições básicas para esse tipo de aprendizado.
“O primeiro passo é o autocontrole”, disse ele. “O processo sagrado começa à medida que o aprendiz deixa de obedecer aos instintos animais”. E acrescentou, antes de prosseguir viagem: “Ao mesmo tempo, há uma outra condição. É preciso ser fraterno e pacífico em relação a todos os seres”. 
Impressionada pela força das palavras do mestre, a cobra Naga deixou de lado as preocupações mundanas. Praticou meditação, aproximou-se da sua alma imortal e experimentou a paz do universo infinito. Ela também tomou uma decisão: “De agora em diante, vou controlar os meus instintos e não morderei mais ninguém”.
A lei da evolução estabelece que todo conhecimento deve ser testado na prática, e o caso de Naga não foi uma exceção. Seu novo comportamento chamou atenção das crianças da aldeia. Por que razão ela ficava o dia todo imóvel, em jejum, recitando mantras e meditando sob o calor do sol? Quando todos compreenderam que o animal não atacava, começaram os risos, o desprezo e as agressões à base de paus e pedras. Com o tempo, Naga  emagreceu.  Adoeceu. Sua pele começou a cair. Mas ela perseverava.  
Um ano depois, o animal está sem forças e à beira da morte, quando o mestre desconhecido aparece outra vez e senta-se para conversar. A cobra conta ao sábio tudo o que aconteceu e fala – feliz – da sua lealdade ao caminho espiritual.  Surpreso, o mestre explica que tamanha dor não era necessária: 
“Amiga, eu disse para você não atacar. Não disse que não ameaçasse morder. Não disse que não preparasse o bote. Não deixe de impor respeito: não faça mal a ninguém, mas – quando necessário – defenda-se sem violência.”
Qual foi, então, o erro de Naga?  Ela idealizou o caminho da sabedoria de maneira ingênua e  ignorou o fato de que conflitos e contradições fazem parte da vida. Os exemplos são muitos. A cada momento temos de tomar decisões, e antes de cada decisão há uma certa luta entre diferentes tendências em nosso interior. As pessoas vivem conflitos psicológicos dentro de si, e se isso é verdade, é também natural que haja discordâncias nas relações humanas e sociais. 
Contraste é vida, e vida é movimento. A uniformidade imobilista não é saudável. Quando as pessoas têm medo das discordâncias naturais, elas passam a reprimir as suas diferenças de opinião na esperança de  preservar a paz. Assim, a sinceridade é substituída pela cortesia. Gradualmente, a confiança mútua desaparece, abrindo espaço para a má-vontade, os sentimentos hipócritas e a deslealdade.        
Por isso a sinceridade é sempre melhor que a harmonia forçada. Naturalmente, é agradável estar rodeado de pessoas que concordam conosco em todos os aspectos.  Mas, se fosse possível viver desse modo o tempo todo, nossa evolução correria grave risco de ser interrompida. Assim como as pedras dos rios ficam redondas após longos anos de atrito, também os seres humanos necessitam de suas dificuldades e  contradições para aperfeiçoar-se. 
É certo que devemos evitar as desarmonias, mas em muitos casos elas são inevitáveis, e então o melhor que podemos fazer é aprender com elas. Para o pensador grego Plutarco (46. d.C.- 120 d.C.) os inimigos são comparáveis às dificuldades naturais que a vida coloca diante de nós. Um velejador experiente não se desespera com o vento contrário, mas sabe usá-lo para avançar no rumo certo. Do mesmo modo, devemos aproveitar as inimizades e outros desafios para aumentar nosso autoconhecimento.
“O fogo queima quem o toca, mas também fornece luz e calor e serve a uma infinidade de usos para aqueles que sabem utilizá-lo”, explica Plutarco. A situação é idêntica com os adversários ou invejosos: “O que é mais prejudicial na inimizade pode tornar-se o mais proveitoso”, diz ele. “É que teu inimigo, continuamente atento, espia tuas ações na expectativa da menor falha, e fica à espreita em torno da tua vida”.
Na tarefa de identificar nossos erros, os inimigos são mais úteis que os amigos. Os adversários aumentam o perigo e, com isso, não nos deixam adormecer na rotina. Para Plutarco, necessitamos amigos sinceros e inimigos ardentes: “uns nos afastam do mal por suas advertências, os outros, por sua censura”. Porém, os amigos geralmente evitam falar com franqueza. Além disso, o amor pode ser cego em relação a aquilo que ele ama.  Mas o rancor consegue revelar as manias e os fracassos de qualquer um.[ 1 ]  Quando o invejoso mente em suas críticas, podemos lembrar que, seja como for, nós ainda estamos longe da perfeição. É verdade que ele vê erros em nós que não existem. Mas talvez haja erros em nós que ele não vê. Devemos aproveitar a oportunidade de uma crítica contra nós para exercer vigilância e aumentar nossa força interior.  A confiança no bem e a autoconfiança nos darão tranqüilidade para observar os erros do ponto de vista do nosso potencial divino. E, sobretudo, para valorizar nossos acertos.
Segundo Plutarco, a melhor maneira de defender-nos dos inimigos é aumentar nossas virtudes. O taoísmo e a filosofia esotérica ensinam a mesma coisa. O escritor Carlos Castaneda (1925-1998) reforça esse ponto ao explicar que “o guerreiro deve ser impecável”.
Como se pode, então, tirar proveito das injustiças que sofremos? Castaneda aprendeu com seu mestre Don Juan a técnica do pequeno tirano.  O método  funciona melhor quando há alguém que não só está  situado em uma posição de poder ou de superioridade  em relação a nós, mas tem, também, a séria intenção de causar-nos profundo mal-estar.
É claro que nenhum tirano externo tem real importância em si mesmo.  Nosso único verdadeiro inimigo é nossa própria ignorância diante da vida. Os adversários mais desagradáveis do mundo exterior são apenas projeções e materializações daquelas lições que ainda não aprendemos e, por isso, são todos de pequeno porte.  No sistema de ensino de Castaneda, há, portanto,  três tipos básicos de pequenos tiranos:
1)Tirano Insignificante. Tem o poder de matar suas vítimas quando quiser.  Hoje é difícil de encontrar, mas era relativamente freqüente durante a época colonial, quando os feiticeiros da América Central criaram essa técnica.
2)Pequeno Tirano Insignificante.  Persegue e inflige danos sem chegar a causar a morte das suas vítimas.
3)Pequeno Tirano Muito Insignificante.  Ocasiona incômodos e exasperação sem fim. [ 2 ] 

A função do pequeno tirano é testar a força e a coerência do aprendiz.
A vida é como uma grande respiração, e, em todos os seus aspectos, a cada expansão corresponde uma retração igual e contrária.
Assim, na mesma medida em que o guerreiro expande no plano subjetivo a sua visão de mundo e se une ao infinito, ele tem de fazer com que, no plano objetivo, as suas ações práticas sejam cada vez mais compactas, mais controladas e mais intensas.  Esse paradoxo é inevitável. Se não fizer isso, seu avanço será falso.  
Há pequenos tiranos insignificantes e muito insignificantes que usam de brutalidade e violência. Outros atormentam criando preocupação, tristeza ou fúria. Em todos os casos, eles são usados pelo guerreiro da sabedoria para identificar e eliminar sua própria vaidade, seu orgulho e  sua preocupação consigo mesmo. O aprendiz deve adquirir um controle estratégico da sua própria conduta, com o objetivo de eliminar o desperdício de energia vital e de obter um acesso cada vez maior à energia do universo infinito. Os jogos do pequeno tirano insignificante só causam sofrimento enquanto houver ignorância, medo e falta de atenção no guerreiro.
A estratégia do aprendizado pode ser resumida em seis pontos:
1.Controle. Enquanto o pequeno tirano atormenta o guerreiro, esse aprende a desmontar os seus esquemas de justificação da preguiça, vê destruída a sua ingenuidade infantil, e desperta para níveis superiores de alerta e atenção. Ele aprende a controlar os impulsos inferiores. Se não fizer isso, será derrotado. 
2.Disciplina.  Como qualquer ser humano, o guerreiro sofre, mas ele sofre  sem sentimento de auto-piedade. Ele levanta informações objetivas sobre a situação em que está, identifica os perigos reais e define possíveis alternativas, sem perder tempo ou energia com emoções desnecessárias. 
3.Paciência. O guerreiro não combate prematuramente. Ele aguarda com serenidade e antecipa com prazer a sua futura libertação. “O guerreiro sabe que espera, e sabe o que espera”, explica Victor Sánchez.
4.Sentido de Oportunidade.  No momento certo, o guerreiro aplica toda a energia acumulada em relação aos três pontos anteriores. Sánchez afirma : “É como abrir as comportas de uma represa”.
5. Vontade. Não é a vontade comum, mas um elemento imponderável, reservado para uma situação extrema. Esse é o único ponto da estratégia que pertence ao desconhecido. Não é apenas um resultado da acumulação dos itens anteriores.
6.O Tirano Insignificante. É o elemento externo que, ameaçando o guerreiro, dinamiza e acelera o seu processo de crescimento interior. [ 3 ] 
É muito provável que não haja ninguém situado em uma posição de poder que esteja pensando em atormentar-nos ou em destruir nosso bem-estar. Raramente alguém tem o privilégio espiritual de viver esse desafio.
Ainda assim podemos usar essa técnica de Castaneda. Basta adaptar a estratégia acima substituindo o pequeno tirano pelo conjunto de obstáculos que nos rodeiam e dificultam a obtenção da nossa meta, a sabedoria.  Se não há um tirano, pode haver uma situação limitadora, uma pequena tirania exercida pela nossa própria ignorância, e que limita nosso processo de aprendizagem. E a estratégia permanecerá válida. 
Os três primeiros pontos – controle, disciplina e paciência – são estimulados pelo sexto elemento, o tirano, ou a “situação limitadora”. 
O quarto ponto – a escolha do momento de ação – serve para preparar o salto transformador e o instante criativo que fará toda a diferença. O quinto ponto, a vontade, significa que, tendo aumentado sua eficiência e sendo impecável nessa situação concreta, o guerreiro reúne uma energia ilimitada, a ser usada no momento certo. 
Desse modo, cada pessoa de má vontade ou que boicota nossos esforços tem algo a nos ensinar. Se formos aprendizes conscientes da arte de viver, estaremos sendo beneficiados pelas suas ações agressivas, ainda que isso possa ser frustrante para o agressor. Normalmente, o pequeno tirano é um pobre desorientado. Ele não só ignora que sua má-vontade contra nós na verdade nos beneficia, mas sequer  suspeita o quanto é gravemente prejudicial para ele próprio querer prejudicar alguém.
Para o aprendiz da sabedoria, há três coisas de suprema importância.
A primeira é não aceitar o papel de pequeno tirano nem perder tempo ou energia com pensamentos e ações destrutivos em relação a outrem. A segunda é não cair na posição de vítima paralisada ou inconsciente, e não alimentar auto-piedade. A terceira é saber atuar como um colaborador da sabedoria universal em todas as situações da vida.  
 
NOTAS.

[ 1 ] Como Tirar Proveito de Seus Inimigos, de Plutarco, Ed. Martins Fontes, SP, 1998, 121 pp.,   ver pp. 5, 6, 7 e 13.
[ 2 ] Os Ensinamentos de Don Carlos, aplicações práticas dos trabalhos de Carlos Castaneda, Victor Sánchez, Ed. Nova Era, RJ, 1997, 268 pp., ver p. 120. Veja também o capitulo dois de O Fogo Interior, de Carlos Castaneda, Ed. Record, RJ, 280 pp.
[ 3 ] Os Ensinamentos de Don Carlos, obra citada, pp. 121-123, e O Fogo Interior, obra citada, especialmente pp., 27 a 30. Sobre a vontade, p. 29.