sábado, 24 de novembro de 2012

A Teosofia e a Crença em Deus


Um Informe Especial Sobre a Ilusão Monoteísta


Carlos Cardoso Aveline






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Os seis textos a seguir foram publicados
inicialmente na edição de “O Teosofista”
de fevereiro de 2010, e visam investigar
o processo pelo qual a crença em um deus
monoteísta e a religiosidade dogmática
devem dar lugar, hoje, a uma pedagogia
espiritual baseada na independência solidária.

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“..... Nós negamos Deus
como filósofos e como budistas.”

[Da Carta 88 de “Cartas dos Mahatmas”]




1.Sábios Orientais Não Conhecem Deus

Raja Ioga Ensina Sobre Lei Universal e Auto-responsabilidade



Um número crescente de pessoas examina hoje a origem e a história da noção de Deus, e compreende que os deuses Criadores e Salvadores das diferentes religiões populares foram, sempre, inventados pelos próprios seres humanos. 

A credulidade religiosa dos povos não sustenta só as ilusões teológicas e as castas sacerdotais. Ela também justifica e legitima a guerra, o terror, o armamentismo, a escravização das mentes  e outras formas de desrespeito à vida. O que está em jogo, pois,  não é um mero debate teórico entre os seguidores desta ou daquela tese, mas o futuro da atual civilização. A violência no Afeganistão, no Paquistão, no Oriente Médio e ao redor do mundo não é obra do acaso. O ódio entre povos e religiões tem um fundo cultural, e resulta de uma visão teológica e monoteísta do mundo.

A violência e até a proliferação nuclear feitas em nome de Deus estão na pauta das reuniões da ONU. Elas também são discutidas diariamente nos meios de comunicação. Mas a agressão que surge da fé em deus nem sempre chega ao nível político-militar. Ela pode ser mais sutil, como quando promove, por exemplo, a dominação mental e a cegueira voluntária de milhões de pessoas. 

A força atual da credulidade supersticiosa resulta da pouca popularização, durante o século 20,  da filosofia esotérica oriental e das diversas filosofias universalistas. Isso torna mais difícil, e mais importante, o desafio da primeira metade do século 21. 

A crise global de hoje deve ser olhada de frente.  Ela é ao mesmo tempo ética, geológica, financeira, política, espiritual, e, potencialmente, militar-nuclear. Nesta situação, a iniciativa positiva deveria vir dos países cristãos. O cristianismo lidera a civilização. Há milhões de cristãos sinceros. Os cidadãos ocidentais deveriam ser os primeiros a romper  com as antigas superstições forjadas durante a idade média. Eles deveriam resgatar por iniciativa própria aquela ética universal que permite ver além dos dogmas e que nos capacita para reconhecer como irmãos todos os povos. Abandonando as superstições, os cidadãos de todo o mundo perceberão  a unidade interdisciplinar que permeia as diferentes culturas, religiões e filosofias, e também poderão ver as  imperfeições de cada uma delas. Abrir espaço para esta nova visão das coisas é uma tarefa prática.

Como parte da reflexão a este respeito, transcrevemos a seguir cinco trechos de um dos documentos mais extraordinários da filosofia esotérica de todos os tempos. Escrito em 1882, o texto está publicado como Carta 88 na coletânea de “Cartas dos Mahatmas”. Nele, um Raja Iogue explica a posição da filosofia esotérica diante da questão de Deus.[1]  Diz o Mestre:

1) Causas e Efeitos.

“Nem a nossa filosofia, nem nós próprios acreditamos em um Deus, e muito menos em um Deus cujo pronome necessita uma inicial maiúscula. Nossa filosofia se encaixa na definição de Hobbes. Ela é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas causas e das causas por seus efeitos, e já que ela é também a ciência das coisas surgidas do primeiro princípio, segundo a definição de Bacon, antes de admitir qualquer primeiro princípio devemos conhecê-lo, sem o que não temos o direito de admitir nem mesmo sua possibilidade.” (páginas 53-54)

2) A Verdade Sem Meios-Termos.

“Nossa doutrina não conhece meios-termos. Ela afirma ou nega, porque só ensina aquilo que sabe que é a verdade. Portanto, nós negamos Deus como filósofos e como budistas. Sabemos que há vidas planetárias e outras vidas espirituais, e sabemos que em nosso sistema solar não existe coisa tal como Deus, seja pessoal ou impessoal. Parabrahm não é um Deus, mas a lei absoluta imutável, e Ishwar é o efeito de Avidya e Maya, ignorância baseada na grande ilusão. A palavra ‘Deus’ foi inventada para designar a causa desconhecida daqueles efeitos que o homem tem admirado ou temido sem entender, e já que nós alegamos e somos capazes de comprovar o que alegamos - isto é, que conhecemos aquela causa e outras causas - temos condições de sustentar que não há Deus ou Deuses atrás daqueles efeitos.” (página 54)

3) Deus é um Bicho-Papão.

“A idéia de Deus não é uma noção inata, mas adquirida, e nós só temos uma coisa em comum com as teologias - nós revelamos o infinito. Mas enquanto atribuímos causas materiais, naturais, sensíveis e conhecidas (por nós, pelo menos) a todos os fenômenos que procedem do espaço, da duração e do movimento infinitos e ilimitados, os teístas atribuem a eles causas espirituais, sobre-naturais, ininteligíveis e desconhecidas. O Deus dos teólogos é simplesmente um poder imaginário, un loup garou [bicho-papão] na expressão de d’Holbach - um poder que  até agora nunca se manifestou. Nossa principal meta é libertar a humanidade deste pesadelo, ensinar ao homem  a virtude pelo bem da virtude, e ensiná-lo a caminhar pela vida confiando em si mesmo, ao invés de depender de uma muleta teológica que por eras incontáveis foi a causa direta de quase toda a miséria humana.” (páginas 54-55)

4) A Vida Una Inclui o Mundo Material.

“Podemos ser chamados de panteístas - de agnósticos, NUNCA. Se as pessoas estiverem dispostas a aceitar e a ver como Deus nossa VIDA UNA, imutável e inconsciente em sua eternidade, poderão fazê-lo e assim manter mais um gigantesco equívoco de denominação. Mas então terão de dizer como Spinoza que não há e não podemos conceber qualquer outra substância além de Deus, conforme aquele famoso e infeliz filósofo [2]  diz em sua décima-quarta proposição: “praeter Deum neque dari neque concipi potest substantia” - e assim tornarem-se panteístas... Quem, exceto um teólogo formado no mistério e no mais absurdo sobrenaturalismo pode imaginar um ser auto-existente, necessariamente infinito e onipresente, fora do universo manifestado que não tem fronteiras? A palavra infinito é apenas uma negativa que exclui a idéia de limites. É evidente que um ser independente e onipresente não pode estar limitado por nada que seja externo a ele; que não pode haver nada externo a ele - nem mesmo um vácuo; portanto, onde haverá espaço para a matéria? Para aquele universo manifestado, mesmo que este último seja limitado? Se perguntarmos aos teístas se o Deus deles é vácuo, espaço ou matéria, eles responderão que não. E no entanto eles sustentam que o Deus deles penetra a matéria embora ele próprio não seja matéria. Quando nós falamos da nossa Vida Una, também dizemos que ela não só penetra, mas é a essência de cada átomo de matéria; e que, portanto, ela não apenas tem correspondência com a matéria mas possui também todas as suas propriedades, etc. - conseqüentemente, é material, é a própria matéria.” (página 55)

5) Crença em Deus Produz Sofrimento Desnecessário.

“....Direi a você qual é a maior, a principal causa de cerca de dois terços dos males que perseguem a humanidade desde que esta causa se tornou um poder. É a casta sacerdotal, o clero e as igrejas; é nestas ilusões que o homem vê como sagradas, que ele deve procurar a fonte daquele sem-número de males, que é a grande maldição da humanidade e que quase domina totalmente o gênero humano. A ignorância criou os Deuses e a astúcia aproveitou a oportunidade. Veja a Índia, veja a Cristandade, o Islamismo, o Judaísmo e o fetichismo. Foi a impostura dos cleros que fez com que estes Deuses passassem a ser tão terríveis para o homem; é a religião que o transforma no beato egoísta, no fanático que odeia toda a humanidade fora da sua própria seita, sem torná-lo em nada melhor ou mais moral por isso. É a crença em Deus e nos Deuses que faz de dois terços da humanidade escravos de um punhado daqueles que os enganam com o falso pretexto de salvá-los. O homem não está sempre pronto a cometer qualquer tipo de maldade se lhe disserem que seu Deus ou Deuses exigem o crime – vítima voluntária de um Deus ilusório, escravo abjeto de seus ministros astuciosos? Os camponeses irlandeses, italianos e eslavos passarão fome, e verão suas famílias famintas e sem roupa, para alimentar e vestir seu padre e seu papa. Durante dois mil anos a Índia gemeu sob o peso das castas, com os brâmanes engordando só a si mesmos com o melhor da terra, e hoje os seguidores de Cristo e os de Maomé estão cortando as gargantas uns dos outros em nome – e para maior glória – dos seus respectivos mitos. Lembre que a soma da miséria humana nunca será diminuída até aquele dia em que a parte melhor da humanidade destruir, em nome da Verdade, da moralidade e da caridade universal, os altares dos seus falsos deuses.” (páginas 61-62)

NOTAS:

[1] “Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, Editora Teosófica, Brasília, 2001, edição em dois volumes, ver volume II, Carta 88.  Os números das páginas são indicados entre parênteses ao final de cada trecho. A íntegra da Carta 88 está publicada em www.filosofiaesoterica.com  sob o título “Deus Pessoal ou Lei Universal?”, e pode ser facilmente localizada no website através da Lista de Textos por Ordem Alfabética. 

[2] Benedictus de Spinoza foi perseguido por suas idéias filosóficas mesmo na Holanda do século 17, conhecida por seu clima de liberdade religiosa. Sua principal obra, “Ética”, não pôde ser publicada enquanto ele viveu. Foi acusado de ateísmo e considerado um herege pela comunidade judaica. A décima-quarta proposição mencionada a seguir pelo Mestre pertence à parte I, “De Deus”, do seu famoso tratado sobre a Ética (publicado no Brasil pela Ed. Ediouro).  (Nota da edição brasileira de “Cartas dos Mahatmas”)

2. Do Monoteísmo para o Universalismo

Século 21 Pode Trazer a Fraternidade Planetária e Inter-Religiosa

Por toda parte e desde a mais remota antiguidade, o homem criou Deus à sua própria imagem e semelhança, e não o contrário. As ideologias monoteístas fortalecem a intolerância.  Desde que elas passaram a dominar, não têm faltado tentativas de assegurar-se a posse exclusiva do mundo divino por parte de diferentes povos, cujos deuses, convenientemente, autorizam a matar e a maltratar sem dó nem piedade os “infiéis”, os “hereges”  e os “descrentes”.

O deus dos cristãos seria, supostamente, “o único existente”. Esta pretensão pouco modesta justificou o desrespeito e a perseguição não só dos judeus, mas dos povos indígenas das Américas, da África e da Ásia.  Na verdade o deus dos cristãos é uma cópia e uma versão romanizada do deus judaico, que, por sua vez, também é supostamente “único”, tenha sido tomado e adaptado de povos e tribos ainda mais antigos. Ao invés de agradecer aos hebreus por tomar-lhes emprestado o seu Deus e a sua escritura, os cristãos perseguiram os seguidores de Jeová durante quase dois mil anos. Tentaram eliminá-los como povo e como cultura,  pela intimidação, pela assimilação forçada, e pela violência física. Talvez por isso Adolf Hitler nunca tenha sido excomungado, e nem sequer criticado pelo Papa, antes da sua derrota militar. Na área do desrespeito aos direitos humanos, Adolf Hitler e os papas tinham muito em comum.

O deus muçulmano é uma criação mais recente que a divindade monoteísta cristã.  Ele  também é apresentado como o único deus que existe, mas, na prática, ele é  um irmão mais jovem do deus que hoje é controlado - em suas diversas versões - pelas igrejas católicas, ortodoxas, protestantes e luteranas.

A verdade é que, desde a mais remota antiguidade, cada povo tem produzido sempre os seus mitos simbólicos e divinos com base na mitologia herdada de povos mais antigos. Helena  P. Blavatsky escreveu em “A Doutrina Secreta”:

“Não é o Uno Desconhecido e sempre presente Deus na Natureza, ou Natureza in abscondito, que é rejeitado, mas o Deus do dogma humano e a sua “Palavra” humanizada. Com sua infinita presunção e seu orgulho e vaidade inerentes, o homem criou ele próprio o seu Deus com sua mão sacrílega a partir dos materiais que encontrou em sua pequena estrutura cerebral,  e o impôs à humanidade como se fosse uma revelação direta do ESPAÇO  uno e não revelado.” [1]

A “Carta do Grande Mestre” - também conhecida  na  literatura esotérica como  “Carta  do Chohan” -  descreve o programa de ação de longo prazo do movimento teosófico. Ali podemos ler a seguinte profecia, cujo cumprimento deverá ocorrer com ajuda ativa do movimento esotérico autêntico:

“As doutrinas fundamentais de todas as re­ligiões se comprovarão idênticas em seu significado esotérico, uma vez que sejam desagrilhoadas e libertadas do peso morto representado pelas interpre­ta­ções dogmáticas, dos nomes pessoais, das concepções antropo­mórfi­cas e dos sacerdotes assalariados. Osíris, Krishna, Buda e Cristo serão apre­sentados como no­mes diferentes de uma mesma estrada real para a bem-aventurança fi­nal, o Nirvana.”

E a carta do Chohan prossegue:

“O Cristianismo místico, isto é, aquele Cristianismo que ensina a autolibertação através do nosso próprio sétimo princípio - o Para-Atma (Augoeides) libertado, chamado por alguns de Cristo, por outros, de Buda, e equivalente à regeneração ou renasci­mento em espíri­to - será visto como  exatamente a mesma ver­dade do Nirvana do Bu­dismo. To­dos nós temos de nos livrar de nosso próprio Ego, o ser ilusório e apa­rente, a fim de reconhecer nosso verdadeiro ser em uma vida divina trans­cendental. Mas, se não formos egoís­tas, devemos esforçar-nos e fazer com que outras pessoas ve­jam essa verdade, e reconheçam a reali­dade desse ser trans­cen­dental, o Buda, Cristo ou Deus de cada prega­dor. Esta é a razão por que mesmo o Budismo exotérico é o caminho mais seguro para conduzir os homens em direção à única verdade esoté­rica.  Do modo como se encontra o mundo agora, seja cristão, mu­çulmano ou pa­gão, a justiça é desconsiderada, enquanto a honra e a piedade são atiradas ao vento.”

Mais adiante, o documento afirma:

“O mundo em geral, e especialmente a cristandade, abandona­do por dois mil anos ao regime de um Deus pes­soal, bem como a seus sistemas políticos e sociais baseados nessa idéia, provou agora ser um fracasso.” [2]  

De fato, as religiões supersticiosas não produziram ética, nem paz, nem justiça social. Tampouco estabeleceram um convívio equilibrado com o meio ambiente natural. Elas deixaram de servir à evolução humana, e algo melhor do que elas está surgindo agora,  gradualmente. O processo de nascimento da visão pós-dogmática  e universalista do mundo deverá acelerar-se nos séculos 21 e 22.   

NOTAS:

[1] “A Doutrina Secreta”, H.P. Blavatsky, Ed. Pensamento,  edição em seis volumes, ver volume I, p. 77.  Na edição original, “The Secret Doctrine”, H. P. Blavatsky, Theosophy Co., Los Angeles, 1982, volume I, p. 9. 

[2] O texto “A Carta do Grande Mestre” pode ser localizado através da “Lista de Textos por Ordem Alfabética”, no website www.filosofiaesoterica.com.  Para localizar o documento através da Lista de Textos por Autor, busque-se como autor “Um Mahatma dos Himalaias”.


3. A Dimensão Sutil da Crença em Deus

Espíritos Anti-Evolutivos Animam as Crenças Religiosas Dogmáticas
 
A crença popular no Deus pessoal, vingativo, rancoroso e temível que é imaginado pelas igrejas e religiões convencionais constitui uma causa desnecessária de sofrimento humano, segundo alerta a Carta 88 das “Cartas dos Mahatmas”.

A julgar pelas ações dos seus sacerdotes, este deus justifica mentir, matar e oprimir, sempre que tais crimes sejam feitos - pelo menos nominalmente - para maior glória dele próprio.

No entanto, isso não é tudo. Não basta perceber apenas este mecanismo da credulidade dos povos. Um documento incluído  em “Cartas dos Mahatmas” mostra um aspecto mais sutil, e amplamente desconhecido, do processo da crença em deus. Trata-se da Carta número 30, no volume I, que inclui uma mensagem colocada no papel por H.P. Blavatsky, sob ditado do mestre dela.

O texto ditado revela que os deuses das religiões dogmáticas são de fato energias sutis animadas por  espíritos planetários anti-evolutivos, cuja função cármica é evitar que a Vitória da Sabedoria Universal  no coração humano ocorra de modo prematuro. O Mestre designa tais espíritos planetários atrasados pelo nome de Ma-Mo Chohans.

Na mesma Carta 30, o Mahatma explica por que motivo um Raja-Iogue não pode ajudar em sua caminhada a quem crê em superstições como “Deus” e “Deuses” no sentido dogmático. Tal crença destrói as possibilidades de uma afinidade magnética,  porque fecha a aura do indivíduo para a expansão de consciência que constitui a substância do caminho espiritual.  

Diz a Carta 30:

“A fé em Deuses ou em Deus e outras superstições atraem milhões de influências alheias, entidades vivas e poderosos agentes para perto das pessoas, e nos veríamos obrigados a usar algo mais que o exercício comum de poder para afastá-los. Nós decidimos não fazê-lo. Não consideramos necessário nem proveitoso perder o nosso tempo travando uma guerra com planetários [1] atrasados que se deliciam personificando deuses e, às vezes, personagens famosos que viveram na terra. Existem Dhyan-Chohans, e "Chohans das Trevas", não o que eles chamam de diabos, mas "Inteligências" imperfeitas que nunca nasceram nesta ou em qualquer outra terra ou esfera, tanto quanto os "Dhyan-Chohans", e que nunca farão parte dos "construtores do Universo", as Inteligências Planetárias puras que presidem cada Manvantara, enquanto que os Chohans das Trevas presidem os Pralayas. Explique isso ao sr. Sinnett (EU NÃO POSSO) – diga-lhe que leia de novo o que disse a eles nas poucas coisas que expliquei ao sr. Hume, e que ele se lembre de que, assim como tudo neste universo é contraste (não posso traduzi-lo melhor) assim também a luz dos Dhyan Chohans e sua inteligência pura é contrastada pelos "Ma-Mo Chohans" – e sua inteligência destrutiva. Esses são os deuses que hindus, cristãos, maometanos e todos os demais integrantes de religiões e seitas intolerantes fanáticas adoram; e enquanto a sua influência se fizer sentir sobre os seus devotos, não nos ocorreria a idéia de associar-nos a eles nem de opor-nos a seu trabalho, do mesmo modo como em relação aos Gorros Vermelhos [2] na terra, cujos resultados maléficos tratamos de diminuir, mas com cujo trabalho não temos direito de imiscuir-nos, enquanto eles não se interpuserem em nosso caminho.”

Depois desta mensagem ditada pelo raja-iogue, Helena Blavatsky prossegue na carta acrescentando uma explicação sua. Ela diz o seguinte (colocamos alguns termos explicativos entre colchetes, em itálico  e sublinhados) :

“Aqui (...) [o Mestre] quer dizer que eles não têm o direito, nem o poder, de ir contra a natureza, ou contra aquele trabalho que foi destinado pela lei da natureza para cada tipo de seres ou coisas existentes. Os Irmãos [os Mahatmas] , por exemplo, podem (....) até certo grau reduzir o mal e aliviar o sofrimento: mas não podem destruir o mal. Do mesmo modo os Dhyan Chohans [espíritos planetários evolutivos, que trabalham pela libertação humana] não podem impedir o trabalho dos Mamo Chohans, pois a Lei destes é trevas, ignorância, destruição, etc., assim como a Lei dos primeiros é Luz, conhecimento e criação. Os Dhyans Chohans respondem a Buddh, Sabedoria Divina e Vida em conhecimento abençoado, e os Ma-mos são a corporificação na natureza de Shiva, Jeová e outros monstros inventados, que têm a ignorância como seguidora.”

Vemos assim que, de acordo com a filosofia esotérica, há de fato algo “real” que interage no plano sutil com as seitas religiosas cuja base é o dogmatismo e a crença ritualista. Este “algo” são espíritos planetários anti-evolutivos. 

A tarefa da teosofia - e a filosofia ocidental clássica sempre apontou no mesmo sentido - é libertar a humanidade do pensamento supersticioso que procura perpetuar a ignorância.  


NOTAS:

[1] Isto é, espíritos planetários. (N. ed. bras.)

[2] Seita asiática cujo trabalho é contrário à evolução espiritual. (N. ed. bras.)


4. A Crença Como Problema Pedagógico

Dependência Teológica Destrói Autoconfiança do Indivíduo


Um Mahatma explicou os motivos psicológicos pelos quais a crença supersticiosa em um Deus Monoteísta obstaculiza o aprendizado espiritual. Diz o Mestre:  

“Um sentimento constante de dependência abjeta a uma Divin­dade vista como a única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança e o impulso para a atividade e a inicia­tiva. Tendo co­meçado por criar um pai e guia para si, ele se torna como um menino e permanece as­sim até a idade avançada, esperando ser conduzido pela mão tanto nos pequenos como nos grandes acon­tecimentos da vida. O ditado “Ajuda a ti mesmo e Deus te ajudará” é in­ter­pretado por ele de tal maneira que, quando um empreen­di­mento resulta de modo vantajoso, ele credita isso apenas a si mesmo; quando é um fracasso, ele atribui isto à vontade de seu Deus. (.....)  Os pecados de vocês? O maior é atribuir a Deus a tarefa de libertá-los deles. Esta não é uma piedade meritória, mas uma debilidade egoísta e in­dolente. Ainda que a vaidade possa sussurrar o contrário, preste aten­ção apenas a seu bom senso.” [1]

Ou seja, enquanto houver crença em um deus monoteísta, não pode haver uma compreensão cabal de que o principal templo é nossa própria consciência, e que a grande divindade, invisível e impessoal,  é Atma, o princípio universal presente neste Templo e também fora dele. Este princípio é imparcial. Ele não manipula os fatos.  Ele não faz favores, nem pode ser comprado ou subornado com homenagens, velas acesas, elogios, missas, cultos, orações, pedidos, novenas, procissões ou promessas.  

No caminho da felicidade, vale, isso sim, o ensinamento do Jesus do Novo Testamento: o que se planta, se colhe.  Vale a lei do carma, e não o suposto favor pessoal de deuses monoteístas imaginários. É deste modo que a humanidade cresce.  Pode ser difícil desafiar e abandonar as ilusões:  mas não há outro caminho.

NOTA:      

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, Ed. Teosófica, Brasília, Primeira Série, Carta 43.  

5. Raja Ioga Propõe a Auto-Libertação

Liberdade Resulta do Exercício da Responsabilidade Cármica

A teosofia  -  assim como a Raja Ioga  -  propõe o caminho da autonomia do aprendiz. Os obstáculos que impedem a felicidade de cada indivíduo devem ser afastados do seu caminho por ele mesmo e por mérito próprio. Ele próprio criou os obstáculos, e, portanto, a tarefa de afastá-los pertence a ele. Este é o ensinamento da lei do carma. 

O processo pelo qual o indivíduo humano cria sempre a cada momento as circunstâncias do seu futuro passa pelo encadeamento constante dos pensamentos entre si, através de hábitos e padrões estabelecidos. Estes hábitos, porém, estão sujeitos à alteração através da força de vontade.    

Um Mestre explica como se dá o mecanismo:

“....Cada pensamento do homem, ao ser produzido, passa ao mundo interno e se torna uma entidade ativa associando-se - amalgamando-se, poderíamos dizer - com um elemental, isto é, com uma das forças semi-inteligentes dos reinos. Ele sobrevive como inteligência ativa - uma criatura gerada pela mente - por um período mais curto ou mais longo, proporcionalmente à intensidade da ação cerebral que o gerou. Desse modo um bom pensamento é perpetuado como força ativa e benéfica, um mau pensamento como demônio maléfico. Assim, o homem está constantemente ocupando sua corrente no espaço com seu próprio mundo, um mundo povoado com a prole de suas fantasias, desejos, impulsos e paixões; uma corrente que reage sobre qualquer organização sensível ou nervosa que entre em contato com ela na proporção da sua intensidade dinâmica. A isto os budistas chamam ‘Skandha’. Os hindus lhe dão o nome de ‘Carma’. O adepto produz essas formas conscientemente; os outros homens as atiram fora inconscientemente.” [1]

NOTA:

[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Brasília, volume II, p. 343, Primeira Carta para A. O. Hume.

6. Trocando Dogmas por Autoconfiança

Combinando Independência  Pessoal  Com  Compaixão  Universal

Para a teosofia original, o estudante deve combinar independência pessoal com solidariedade. Ele deve reunir em si auto-responsabilidade e compaixão universal. Nenhum mestre tem como função salvar o aprendiz dos seus próprios erros, ou das consequência dos seus erros no passado. A função do mestre é dar elementos para que o discípulo liberte a si próprio.

Nos trechos a seguir, tirados de cartas dos Mestres, vemos os princípios pedagógicos seguidos pelos instrutores autênticos:

* “...  Você tem uma carta minha em que explico por que nós nunca guiamos nossos chelas (mesmo os mais avançados); nem os avisamos antecipadamente, mas deixamos que os efeitos produzidos pelas causas criadas por eles ensinem-lhes uma melhor experiência.” [1]

* “Você está pronta para fazer a sua parte no grande trabalho da filantropia? Você ofereceu-se para a Cruz Vermelha; mas, Irmã [2] , existem doenças e feridas da alma que não podem ser curadas pela arte de nenhum cirurgião.  Irá auxiliar-nos a ensinar à humanidade que os doentes-da-alma devem curar-se a si próprios?  Sua ação será sua resposta.” [3]

* “Todo ser humano contém dentro de si vastas potencialidades, e é dever dos adeptos rodear o possível chela com circunstâncias que o capacitarão para tomar o “caminho da direita” - se ele tiver a capacidade dentro de si. Não temos o direito de retirar a chance de um postulante, assim como não podemos guiá-lo e dirigi-lo pelo caminho correto. Na melhor das hipóteses, podemos apenas mostrar a ele - depois que seu período de provação terminou exitosamente - que se ele fizer isso irá bem; se fizer aquilo, irá mal. Mas até que ele haja passado por esse período, nós deixamos que ele trave suas batalhas do melhor modo que puder; e temos que fazer o mesmo ocasionalmente com chelas mais adiantados e iniciados, como H.P.B., uma vez que lhes é permitido trabalhar no mundo, o que todos nós evitamos mais ou menos. E além disso (.....) nós deixamos que nossos candidatos sejam tentados de mil maneiras diferentes, de modo que venha para fora a totalidade da sua natureza interna, e deixamos a esta a possibilidade de vencer de uma maneira ou de outra. (.....) Todos nós somos testados dessa maneira (.....).” [4]

Ao analisar certos erros cometidos por Helena Blavatsky, um Mestre escreve:

“De acordo com nossas regras,  (....)  [o Mestre de H.P.B.] não tinha permissão para proibi-la claramente de fazer tal coisa. Ela tinha que ter total e inteira liberdade de ação, a liberdade de criar causas que se transformariam com o tempo no seu carrasco, seu pelourinho público. Ele podia, no máximo, proibi-la de produzir fenômenos, e ele recorria a este último recurso tão freqüentemente quanto podia, para grande insatisfação dos amigos dela e dos teosofistas.” [5]

A independência é essencial para que haja um real aprendizado, segundo explica um Mahatma:

“Você está completamente desinformado sobre o nosso sistema, e se eu pudesse torná-lo claro para você, haveria dez chances contra uma de que os seus “melhores sentimentos” - os sentimentos de um europeu - ficariam perturbados, ou algo pior, com uma disciplina tão “chocante”. O fato é que, até a última e suprema iniciação, todo chela - (e mesmo alguns adeptos) - é deixado com seus recursos e opinião próprios. Temos que enfrentar nossas próprias batalhas, e o adágio familiar - “o adepto faz a si mesmo, ninguém o faz” - é verdadeiro literalmente. Já que cada um de nós é o criador e produtor das causas que levam a este ou àquele resultado, temos que colher apenas aquilo que semeamos. Nossos chelas são ajudados apenas quando são inocentes das causas que os colocaram em dificuldades; quando tais causas são geradas por influências alheias, externas. A vida e a luta pelo adeptado seriam demasiado fáceis, se todos tivéssemos limpadores atrás de nós varrendo para longe os efeitos que geramos através da nossa imprudência e presunção. (.....) Assim, passo a passo, e depois de uma série de punições, o chela aprende pela amarga experiência a suprimir e guiar seus impulsos; ele perde sua imprudência, sua auto-suficiência, e nunca cai nos mesmos erros.” [6]

No discipulado, o aprendiz deve optar entre dois  caminhos:

“Um chela em provação tem permissão para pensar e fazer o que quiser. Ele é advertido e informado previamente: ‘Você será tentado e enganado pelas aparências; dois caminhos se abrirão diante de você, os dois levando à meta que você está tentando alcançar; um, fácil, e este o levará mais rapidamente ao cumprimento das ordens que você pode receber; o outro, mais árduo, mais longo; um caminho cheio de pedras e espinhos que o farão pisar em falso mais de uma vez; e no final do qual você pode, talvez, chegar a um fracasso, depois de tudo, e ser incapaz de executar as ordens dadas para um pequeno trabalho particular - mas, enquanto este caminho fará com que as dificuldades enfrentadas por você devido a ele sejam todas contabilizadas a seu favor a longo prazo, o outro, o caminho fácil, só pode oferecer a você uma gratificação momentânea, uma realização fácil da tarefa’.” [7]

O princípio pedagógico e filosófico da “autonomia do aprendiz” - para citar a expressão criada pelo educador brasileiro Paulo Freire - pode demorar ainda algum tempo até ser absorvido na prática e substituir, finalmente, as crenças dogmáticas. Ele deve ser adaptado e aplicado gradualmente a cada situação humana. Todos os seres são aprendizes, e cada momento da vida traz uma ou mais lições,  para quem tem olhos para ver. 

Quando o aprendizado consciente substituir finalmente os dogmas cegos,  três axiomas fundamentais ficarão claros para o conjunto da humanidade:

I - “A alma do homem é imortal e o seu futuro  é o de algo cujo crescimento e esplendor não têm limites”. 

II- “O princípio que dá a vida mora em nós e fora de nós; é imortal e eternamente benéfico; não é ouvido, nem visto, nem apreendido pelo olfato, mas pode ser percebido pelo homem desejoso de o perceber”.

III - “Cada homem é o seu absoluto legislador, o dispensador da glória ou das trevas para si próprio; é o decretador de sua vida, recompensa e punição.” [8]

NOTAS:

[1] “Cartas dos Mahatmas”, Ed. Teosófica, Carta 95, vol. II, p. 151 

[2]  Na edição brasileira, vemos a palavra “Filha”. Porém vale o original em inglês, em que temos  “Irmã”.

[3] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, Ed. Teosófica, Carta 72,  segunda série, p. 248.

[4] “Cartas dos Mahatmas”, Carta 92, vol. II, pp. 97-98.

[5] “Cartas dos Mahatmas”, Carta 92,  vol. II, pp. 92-93.

[6]  “Cartas dos Mahatmas”, Carta 92, vol. II, p. 90-91.

[7]  “Cartas dos Mahatmas”, Carta 74, vol. I. p. 343.

[8]  “Luz no Caminho”, M. Collins, Ed. Pensamento, SP, p. 27.


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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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Texto publicado originalmente em www.FilosofiaEsoterica.com
http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=837#.ULC3BodLX_M

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Os Ciclos dos Hábitos




Tudo na Vida Obedece à Lei  dos Ciclos e da Periodicidade

Robert Crosbie

Pergunta:

Podemos aplicar a Lei dos Ciclos ao processo de formação e ruptura de hábitos pessoais?
Resposta:

A doutrina  dos ciclos se aplica a tudo. Não há uma só impressão de qualquer tipo que tenhamos que não vá retornar:  inclusive cada pensamento que temos e cada ação que fazemos. Estamos o tempo todo passando por ciclos regulares. São ciclos auto-estabelecidos.

O jeito de corrigir hábitos é reconhecer que os pensamentos errados irão retornar, e que mesmo os pensamentos que não são bem-vindos retornam obrigatoriamente devido à lei.  Por isso, estabeleça um pensamento oposto – ou um sentimento oposto, ou comece  uma ação na direção oposta. Continue fazendo isso da melhor maneira que puder, e finalmente você vai  destruir o velho ciclo e  estabelecer outro, novo. 

Há pessoas que  sentem tristeza – que têm os seus dias de desânimo. William Judge  disse certa vez: “Sinto outras coisas, mas nunca tenho tristeza.”  A maior parte das pessoas, no entanto, tem tais momentos. O desânimo vem e parece tomar conta por completo da pessoa. Mas isso pode ser curado, se o indivíduo aproveitar a oportunidade para criar um outro ciclo diferente. Ele deve reparar no fato de que a “tristeza” vem em certo período;   que normalmente há um certo intervalo entre os períodos de tristeza, e, sabendo que  eles virão, deve preparar-se para eles. Assim, ele começa a pensar no dia mais feliz, ou no momento mais feliz, ou no relacionamento mais feliz que já teve, e permanece ligado àquela felicidade da melhor maneira possível. Não terá êxito na primeira vez,  nem  mesmo na segunda, talvez;  mas se continuar tentando,   a cada vez ele reencontrará toda a força colocada nos esforços anteriores, até que gradualmente, ao invés de um período de desânimo,  ele passará a ter um período de felicidade.

Deste modo, é observando o retorno das impressões mentais que podemos corrigir os hábitos. 

Hábitos de qualquer espécie são criados por repetição. Na primeira vez que fazemos algo,  ainda não há um hábito; mas se repetirmos a ação,  e continuarmos  repetindo, ela finalmente se tornará  automática. Com o conhecimento da lei dos ciclos, os hábitos ficam dentro dos limites do nosso controle inteligente. (R.C.) 

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[Traduzido da revista “Theosophy”, de Los Angeles,  edição de junho de 1932, p. 358. Título original: “Cycles of Habits”. ]

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia clássica e avaliar as atuais transformações planetárias, escreva a lutbr@terra.com.br , perguntando como é possível acompanhar o trabalho do e-grupoSerAtento.

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Artigo originalmente publicado em www.FilosofiaEsoterica.com

http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=107#.UK9bG4dLX_M

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os Jovens e a Filosofia Esotérica



 
A Teosofia Autêntica Questiona
Rotinas e é Naturalmente Renovadora
Joaquim Soares
Qual é o valor da teosofia  para as novas gerações?
A loja luso-brasileira da Loja Unida de Teosofistas (LUT) existe desde novembro de 2009.  O fato simbólico de ela ser a primeira loja a ter como gênese e “assento principal” a luz astral - pois  nasceu e mantém-se no espaço “virtual” da Internet - é um sinal claro de que ela está adaptada aos novos tempos e às novas gerações.
Sabemos o quanto os mais jovens se movimentam pelo “espaço universalista” da Internet, através de emails, websites, redes sociais, blogs, etc.  As novas gerações convivem muito à vontade, muitas vezes de modo desconcertante para os mais velhos, com o mundo virtual e com as potencialidades de meios de informação e conhecimento que funcionam à velocidade da luz.
Por outro lado, vivemos um momento da história em que grande número de jovens, e menos jovens, se mobiliza por causas nobres. Hoje em dia, milhões de adolescentes e jovens adultos estão lutando (e muitos outros milhões estão dispostos a lutar) por um mundo mais justo e fraterno, pela proteção da natureza, pelo esbatimento das desigualdades sociais, pela defesa dos mais desfavorecidos e desprotegidos, pelo fim das guerras.
O ideal da vida simples e virada para a beleza, criatividade, sabedoria e espiritualidade, é também algo que atrai um número cada vez maior de jovens. Conscientes da sua responsabilidade para com o planeta, a humanidade e as gerações futuros, eles querem tomar as rédeas do destino e anseiam quebrar as cadeias que continuam a oprimir as consciências. Claro que no meio de tudo isto há muitos excessos, mas, no essencial, e de uma forma geral, os jovens de hoje já não se sentem cidadãos desta civilização decadente mas antes de um novo mundo. A consciência planetária é já para eles uma realidade palpável.
Dentro desta perspectiva, é preciso dizer a um número cada vez maior de jovens algo que consta de uma mensagem mandada em 2010 ao e-grupo SerAtento:
“O movimento teosófico é a melhor coisa de que a humanidade dispõe e a única verdadeira filosofia universalista, capaz de eliminar a causa das guerras, da injustiça social, da corrupção na política, da opressão econômica  e da destruição da natureza.”
É possível constatar que os jovens vêm apresentando uma grande abertura mental para o transcendente. Alguns encontram satisfação nas mil e uma formas da chamada cultura “new age”. Outros demonstram um certo desdém por tudo o que tenha o cunho de “espiritual”, pela simples fato de que a sua própria razão e consciência lhes mostram o absurdo de todo aquele circo.
Mais uma vez se revela a necessidade imperiosa de uma filosofia, de uma sabedoria, que satisfaça tanto o coração como a cabeça. E nada melhor do que a Filosofia Esotérica.
É preciso demonstrar que a teosofia é a essência da ecologia, da política com ética, dos movimentos sociais verdadeiramente reformadores (porque reformam primeiro as consciências), da economia solidária, da arte que inspira e eleva, da educação com alma, da ciência com espírito, das religiões com sabedoria.
Para isso é necessário que haja teosofistas dedicados a desmontar as muitas ilusões que envolvem o esoterismo. No fundo, é preciso resgatar o programa, a dinâmica e o modo de trabalhar de H.P.Blavatsky e de William Judge, e já agora, também de Robert Crosbie, B.P. Wadia, John Garrigues e mais alguns outros.
É preciso demonstrar que a verdadeira filosofia esotérica é aquela que tudo abarca e que não há assunto que esteja fora do seu alcance e da sua influência. É preciso não ter medo de ser polêmico, de desmascarar o erro e os ídolos de “pés de barro”, nem ter medo de discutir seja o que for, dentro da perspectiva elevada das verdades teosóficas. É preciso assumir um pouco dessa irreverência que caracteriza e atrai a juventude.
Os jovens querem conhecer os grandes sábios da humanidade, de Buddha a Platão, passando por Jesus a Confúcio. Mas eles não querem a letra morta dada nas aulas enfadonhas de filosofia nas universidades. Pelo contrário, eles procuram o espírito que vivifica - e esse espírito é oferecido pela Teosofia.
Os jovens querem seguir os grandes exemplos dos servidores do bem geral, de Gandhi a Mandela, passando por Giordano Bruno e Hipátia. Vendo que em todos pulsam as mesmas verdades que a teosofia original proclama sentirão inevitavelmente em seu coração a mesma chama que outrora iluminou outros.
Os heróis de ontem podem e devem inspirar os servidores de amanhã.
A LUT, e em particular a sua loja luso-brasileira, com a sua configuração não-burocrática, sua base nos ensinamentos originais intemporais, o seu foco na autonomia solidária, está capacitada para ser um elemento fundamental no despertar das novas gerações. Sua proposta é verdadeiramente atrativa.
Tornar o movimento teosófico estimulante para os jovens passa por (re)conduzir o movimento à teosofia autêntica e ao programa original. Não há fórmula melhor do que esta.
Lemos o seguinte no texto “A Teosofia da Civilização Futura”:
“Na era de Aquário, que começou há pouco mais de cem anos, a iluminação espiritual nada mais tem a ver com ´rebanhos`, ou com ´pastores`.  Ela é impulsionada, isto sim, por indivíduos livres e responsáveis por suas próprias vidas. A partir de agora, a ação solidária deve preservar a originalidade essencial de cada ser, ao mesmo tempo que todo cidadão pode vivenciar a unidade interior que o liga aos outros seres.” [1]
Citando novamente palavras de uma mensagem mandada ao e-grupo SerAtento:  
“Com um pouco de esforço e ajuda mútua, a gente consegue espalhar esta compreensão.  É como bola de neve. No começo, o trabalho é pequeno. Depois pega o ritmo.”
A gente consegue.
  
NOTA:
[1] O texto citado está no website www.FilosofiaEsoterica.come pode ser localizado ali através da Lista de Textos por Ordem Alfabética.
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Uma primeira versão do artigo “Os Jovens e a Filosofia Esotérica” foi publicada no e-grupo SerAtento, de YahooGrupos, em novembro de 2010.
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Texto original de www.FilosofiaEsoterica.com

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Os Jovens e a Filosofia Esotérica 
 
A Teosofia Autêntica Questiona 
Rotinas e é Naturalmente Renovadora.




sábado, 17 de novembro de 2012

A Doutrina Secreta



A Síntese da Ciência, Religião e Filosofia
 
 
Helena P. Blavatsky
 
 
 
Acima, um trecho do manuscrito original de “A Doutrina
Secreta”. Ele combina partes já datilografadas com modificações
escritas à mão por Helena P. Blavatsky. As frases acima aparecem
nas páginas 577-578 do volume II da DS, edição original em inglês.
[Fonte da imagem: Sociedade Teosófica de Pasadena]
 
 
 
 
Prefácio da Edição Online
 
A edição original de “A Doutrina Secreta”, de Helena P. Blavatsky, começou a ser traduzida ao português dia oito de maio de 2012.   A publicação da obra máxima da filosofia esotérica é feita online, em PDF, e passo a passo.  
 
Realizamos a tradução da edição original de 1888, e conforme a edição fac-similar publicada em 1982 pela “Theosophy Company”, de Los Angeles.
 
A edição original de “A Doutrina Secreta” já foi adotada em inglês pela própria Sociedade de Adyar em 1979. Abandonou-se, assim, oficialmente, a edição deturpada por Annie Besant. [1]  No mundo luso-brasileiro, a situação muda com a presente tradução passo a passo.
 
A edição original em português conta com notas de rodapé explicativas. A cada semana ou quinzena, é acrescentado a ela mais um pequeno trecho. [2]  
 
Trata-se de um trabalho de equipe.  A edição original em inglês tem cerca de 1500 páginas, e os editores luso-brasileiros preferem fazer com que a tradução avance em ritmo moderado, priorizando a qualidade.
 
A publicação gradual de “A Doutrina Secreta” em português é uma realização dos websites  www.FilosofiaEsoterica.com ,  www.VislumbresDaOutraMargem.com  e  www.TeosofiaOriginal.com , assim como do boletim mensal “O Teosofista”,  do e-grupo “SerAtento” e da loja luso-brasileira da Loja Unida de Teosofistas,  LUT.
 
(C. C. A.)


NOTAS:
 
[1] Veja a respeito o texto “O Resgate de A Doutrina Secreta”, que pode ser encontrado através da “Lista de Textos por Ordem Alfabética”, em www.FilosofiaEsoterica.com .
 
[2] As partes já publicadas de “A Doutrina Secreta” permanecem sujeitas à revisão: todo o material traduzido é gravado novamente em PDF a cada ampliação semanal ou quinzenal.  
 
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